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domingo, 5 de junho de 2011

Turma da Educação Infantil tem aula prática nos CORREIOS

Nada melhor do que desfrutar de uma aprendizagem significativa, baseada na vivência prática.
Isso foi o que experienciou a turminha da Educação Infantil do CACPA do período vespertino, contando com o acompanhamento mediador da Profª Adriana, da Coordenadora Pedagógica Daiany Castilho e da Monitora Escolar Durcely.
Todos desfrutaram de uma aula prática nos CORREIOS, tendo contato com o processo de envio de cartas via fila de espera, escolha do selo, tudo também orientado pelos profissionais do órgão, que abrilhantaram a aula com sua disposição em receber cada aluno.
Antes de chegar aos CORREIOS, a Profª Adriana aproveitou faixas de estabelecimentos comerciais para exemplificar e questionar conhecimentos adquiridos neste momento de alfabetização pelo qual os alunos estão passando.
Atividades como estas proporcionam aos nossos pequenos integração e aprendizagem prazerosa.
" A ida dos alunos aos correios foi muito legal, isso que é aprender na prática", comentou a Coordenadora Pedagógica Daiany Castilho.
Aulas como esta marcam a vida de cada criança, pois além da prática, as crianças puderam usufruir de sua cidadania, tendo a oportunidade de utilizar um dos muitos meios de comunicação disponíveis para todos nós.
Parabéns pela iniciativa!!!

Alunos relacionam suas aprendizagens com a escrita na faixa

Turma da Educação Infantil na frente dos CORREIOS do CPA II

Alunos postando suas cartas

A equipe de profissionais dos CORREIOS atenderam a todos

Cada um ficou atento ao processo

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

RECREIO DIVERTIDO: RESGATANDO VALORES ATRAVÉS DE BRINCADEIRAS

Um breve comentário (Prof. Nádia Teixeira):
O PQD - Prêmio de Qualificação Docente, faz parte do Projeto "EducAção + 10" da Rede Adventista de Educação para o Estado do Mato Grosso.
O mesmo é uma  alusão à projetos desenvolvidos, ou estudados pelos Professores e Funcionários da Instituição Adventista na área Educacional. Os trabalhos selecionados são publicados na Revista Digital (CD) do PQD anualmente. Este é um projeto que incentiva a pesquisa e o desenvolvimento profissional do professor ou funcionário.
Quer saber mais? Poste um comentário, ou envie um e-mail para: nadia.teixeira@adventistas.org.br




Elys Moraes atuou como Monitora da Escola Adventista Centro América, no ano de 2008, sendo aluna do curso de  Pedagogia na Universidade do Estado do Paraná (UNOPAR) E-mail – elysmoraes@hotmail.com
 RESUMO

Este artigo apresenta a importância de se prevenir a indisciplina escolar. Somos sabedores que a solução para problemas de disciplina, coordenação motora, agressão na escola são grandes desafios a todos que se dedicam ao ensino. Essa realidade também é observada com os monitores escolares, exigindo deste profissional habilidade, agilidade, cuidado e bom senso ao abordar uma criança ou um grupo de crianças com diferentes anseios. O monitor precisa desenvolver uma conversa, brincadeiras ou aprendizagens orientadas que garantam a troca entre as crianças, de forma que possam comunicar e expressar seu modo de agir, de pensar e de sentir. Este artigo procura analisar as relações existentes entre o contexto das instituições educativas no que se refere ao papel do monitor escolar e o comportamento das crianças. Procuro apresentar uma articulação entre o projeto abordado, que consiste em práticas da atividade de pular corda, e a prática do currículo formal, transformando e aprimorando a qualidade da educação nas instituições escolares.
Palavras-chave: Monitor escolar, Disciplina, Indisciplina, Brincadeiras.

Monitor escolar: Brincar com disciplina

O Brasil tem um desafio, que é o de educar, e toda a sociedade civil e os governantes são os responsáveis pela vitória. Sabe-se que não é um desafio simples, tendo em vista a realidade educacional no país, a nossa crise ética, a discriminação e a violência reafirmam a necessidade de uma nova concepção de Escola e a sua nova responsabilidade na formação de cidadãos conscientes.

Na realidade, a aprendizagem, principal função social da escola na perspectiva da formação cidadã, envolve a aquisição de um conjunto de informações, habilidades e valores, todos socialmente relevantes. Também é evidente que, de forma complementar à importante atuação do professor em sala de aula, ocorrem significativos processos educativos nos demais ambientes da escola.

Avanços significativos na democratização do acesso, especialmente ao ensino fundamental, e na permanência do estudante na escola vêm possibilitando uma progressiva universalização do ensino. O atendimento às demandas oriundas do aumento da escolarização provocou a reestruturação da rede física nos sistemas de ensino, ocasionando a construção de mais e maiores prédios escolares, a contratação de mais trabalhadores, devido ao aumento das funções pedagógicas, administrativas e das denominadas “de apoio” ao projeto pedagógico e ao processo de ensino-aprendizagem. Esses funcionários, outrora identificados por serviçais, servidores, auxiliares e principalmente, por exercerem o papel de meros cumpridores de tarefas, são chamados agora para uma nova missão, em face das profundas e radicais transformações pelas quais passam a sociedade e a escola.


Hoje, com a progressiva expansão da escolarização, percebe-se que, mais do que ser instruída por professores, a população precisa ser educada por educadores, compreendendo-se que todos os que têm presença permanente no ambiente escolar, em contato com os estudantes, são educadores, independentemente da função que exerçam.

Considerando a realidade do ensino atual, merendeiras precisam também cuidar da educação alimentar, bibliotecários, ajudar na construção do hábito da leitura e da educação literária, secretários devem colaborar com o processo avaliativo do ensino e da aprendizagem, configurando-se a instituição de novas identidades funcionais. Nesse sentido, no Brasil, onde os direitos referentes à igualdade, como ao sistema educacional, à saúde, habitação, trabalho digno e alimentação, parecem estar tão longe de serem garantidos no cotidiano da vida e das relações sociais, onde convencionamos a ver esses auxiliares apenas varrendo o nosso pátio, lavando a nossa sala, cozinhando , vigiando, pegando e entregando nossos filhos na porta do carro, todos os envolvidos nesse processo escolar tem um papel importantíssimo na formação do ser humano para a vida.

O monitor escolar

A Monitoria possibilita a experiência do cotidiano educacional promovendo a integração com alunos e professores, a participação em diversas funções e organização no setor.

Pode-se considerar que o monitor escolar tem como prioridade auxiliar os professores em sala de aula no acompanhamento e distribuição das tarefas, bem como: orientar os alunos juntamente com a professora quanto à higiene, lazer, vestuário, medicação, refeições e repouso; conduzir as crianças ao banheiro, dar banho caso necessário, escovação de dentes, fazer uso do sanitário, acompanhar diretamente essas atividades; manter as crianças sempre limpas e com roupas e calçados adequados a todas as situações; ajudar a servir a merenda ou lanche, e dar na boca quando for o caso; executar juntamente com a professora atividades recreativas, educacionais e ocupacionais com as crianças, bem como acompanhá-las em passeios fora da escola; informar a coordenação qualquer problema de saúde com as crianças para posterior atendimento médico; manter vigilância constante sobre as crianças, prevenindo acidentes que coloquem em risco a saúde e ou a vida das mesmas; garantir que todos tenham um comportamento adequado nos horários de refeições, fazendo com que tenham uma boa alimentação, que sentem corretamente em seus lugares e comam adequadamente; comunicar a coordenação qualquer irregularidade ou ocorrência com as crianças; manter-se ocupada com atividades em sala, no horário do repouso das crianças; deixar a sala de aula em ordem, após o término das atividades do dia; participar de eventos, palestras e treinamento sempre que solicitado pela chefia; executar outras atividades similares as acima descritas, a critério do seu chefe imediato; o ocupante do cargo é responsável pela guarda e manuseio do material da escola, que é usado em sala de aula ou fora dela.

A educação infantil e mesmo o trabalho desenvolvido com crianças pequenas exige que o monitor tenha a sensibilidade de se adequar aos conteúdos diversos do universo infantil até conhecimentos de áreas especificas e atualidades, além de ser necessário que estejam comprometidos com a prática educacional, capazes de responder às demandas familiares e das crianças, assim como às questões específicas relativas aos cuidados e aprendizagens infantis. É interessante que o monitor propicie a socialização das descobertas das crianças, isso ocorre quando se organiza as situações para que as crianças compartilhem as atividades, propiciando assim uma interação social.

Considerar que as crianças são diferentes entre si, necessita de uma educação baseada em condições de aprendizagem que respeitem suas necessidades e ritmos. Essas necessidades promovem avanços naquilo que a criança é capaz de realizar com a ajuda dos outros, ou seja, no seu desenvolvimento potencial.


O monitor e a indisciplina

No dicionário da língua portuguesa a palavra disciplina quer dizer ensino. Certamente a indisciplina de uma criança pode originar de alguns fatores, mas os pais podem perceber essa situação em seu inicio, não saber ou não conseguir dizer “não” ou “sim” na hora certa, a dificuldade em estar impondo limites, na ausência de procedimentos que gerem obediência, a indisciplina se instala.

Sobre a questão da disciplina GARCIA (2002) nos diz que:

A disciplina não pode ser trabalhada a partir de mecanismos de controle comportamental, tal fenômeno já foi superado, o que se propõe atualmente é trabalhar a indisciplina enquanto fenômeno de aprendizagem. Dessa forma o aluno considerado indisciplinado não o é somente por haver rompido com regras escolares, mas porque não está desenvolvendo suas possibilidades cognitivas atitudinais e morais.


Podemos perceber que crianças em idades diferentes apresentam diferentes comportamentos e manifestações de indisciplina. Uma criança até os sete anos tem uma atitude e reações indisciplinadas diferentes de um pré-adolescente ou de um adolescente. Dessa forma, caso essas manifestações não sejam corrigidas no momento certo o problema pode ser maior, tornando-se adultos agressivos e violentos. Precisa-se trabalhar visando não mais um tipo ideal de homem, mas trabalhar em vista do sentido da vida humana. (MEDINA, 2004 p; 27).

Somos sabedores que cuidar dos filhos não é uma tarefa muito fácil, e nem educá-los é fácil. Com o advento de diversos conceitos psicanalíticos e psicológicos, que ganharam força em meados da década de 1970, algumas famílias em sua educação familiar, deixaram questões de disciplina ausentes, como é o caso dos limites. Crianças e adolescentes que possuam um comportamento indisciplinado na escola, consideram que podem tudo a qualquer hora. Não serão disciplinados só com a educação escolar, é preciso que haja harmonia entre família e escola.

Crianças e adolescentes indisciplinados e sem limites em casa, alunos indisciplinados e sem limites na escola. Desta forma, a indisciplina nos dias atuais deve ser vista como um fenômeno interativo que ocorre no contexto de sala de aula (AMADO, 2001, p.17).

A disciplina na escola pode ser vista não apenas como repressiva, mas de forma a conduzir a criança para a sociedade, com suas responsabilidades e deveres, respeitando cada estágio da idade do aluno. Nesse sentido trabalhamos a partir de um enfoque positivo, reconhecendo que a educação dos filhos é uma tarefa difícil e complexa. Acreditamos que os pais conhecem melhor do que qualquer outra pessoa quais são as necessidades de seus filhos e que desejam o melhor para eles.

Sendo assim, a indisciplina escolar esta intimamente ligada a tudo que diz respeito ao ensino, aos objetivos, as prática e perspectivas que orientam, além dos condicionantes próprios da aula, da escola, da comunidade e do sistema. (AMADO, 2001 apud Oliveira, 2004, p. 45).


Brincadeiras de crianças

A brincadeira como recurso pedagógico tem sua complexidade, entretanto é através do brinquedo a criança inicia sua integração social: aprende a conviver com os outros, e situar-se frente ao mundo que a cerca. Com o tempo desenvolve jogos simbólicos, cria regras quando começam a socializar ou mesmo quando brincam sozinhas. Na brincadeira a criança cria normas e fundamentos que apenas tem significado naquela relação especifica, é o universo em que ela vive e explora e o adulto pode ter condições de conhecer melhor a criança e o seu estado de espírito. O fato de a criança, desde muito cedo, poder se comunicar por meio de gestos, sons e mais tarde representar determinado papel na brincadeira faz com que ela desenvolva sua imaginação.

Nas brincadeiras as crianças podem desenvolver algumas capacidades importantes, tais como a atenção, a imitação, a memória, a imaginação. Amadurecem também algumas capacidades de socialização, por meio da interação e da utilização e experimentação de regras e papéis sociais. Conversar com o grupo infantil sobre os acidentes que ocorrem, onde, quando e porque ocorreram e o que podem fazer juntos para evitar que aconteçam novamente, são práticas educativas que vão gradativamente construindo com as crianças atitudes de respeito, cuidado e proteção com sua segurança e com a dos companheiros.

Nos últimos anos, muitas brincadeiras deixaram de ser praticadas devido a realidade em que o mundo esta vivendo, o ambiente da criança se modificou, e dessa forma as brincadeiras infantis estão sendo substituídas pela televisão, jogos eletrônicos individuais entre outros.

A brincadeira contribuirá para a aquisição de hábitos de disciplina, ordem, obediência, oportunizando à criança controlar seus impulsos.

O monitor tem o papel de intervir caso haja algum caso de conflito, ou uso incorreto dos brinquedos, aproveitando a curiosidade das crianças e desenvolvendo os cinco sentidos. Observar se todas crianças estão se divertindo, as que não estão e o porque, se os brinquedos são utilizados democraticamente. As observações atentas e gradativas deste profissional ampliam o conhecimento e a capacidade de entender a contribuição da brincadeira no desenvolvimento da criança.

A prática de atividades físicas mostra-nos que crianças, diante de certas ações, antecipam soluções, realizando gestos corporais. Descrevemos esse fenômeno na brincadeira de pular corda, realizada por crianças, observando os movimentos dos segmentos corporais em que os gestos antecipatórios mais se evidenciavam. Estudos sobre o desenvolvimento da inteligência infantil tomam, quase sempre, como referência, manifestações verbais e escritas. A questão central deste estudo é o desenvolvimento de procedimentos de investigação que viabilizem o estudo do desenvolvimento da inteligência, tomando como referência as manifestações motoras, neste caso, os gestos realizados pelos segmentos corporais.

Considerando os estudos de Jean Piaget e outros autores sobre o desenvolvimento da inteligência humana, atribuímos os gestos antecipatórios dos sujeitos desta pesquisa ao que Piaget chamou de abertura de possíveis, isto é, antes de realizar uma ação, o sujeito a torna possível, não importa se no plano intelectual, se no plano motor. Sujeitos entre 03 e 09 anos de idade foram filmados brincando de pular corda, e analisados. Os movimentos realizados pelos sujeitos foram descritos quantitativamente, por meio de análise cinemática tridimensional. Variáveis foram selecionadas de tal forma que permitiram a observação da correlação entre os movimentos da corda e os movimentos correspondentes dos membros superiores das crianças. A metodologia mostrou se eficaz, como instrumento de análise, e pôde ser aplicada na investigação do fenômeno das antecipações motoras.

Pular corda é um exercício intenso. Para quem está começando, uma boa dica é intercalar a atividade física com intervalos de descanso. Exemplo: pule 1-2 minutos e descanse 30 segundos. Aos poucos aumente o tempo de atividade e, por fim, elimine o descanso. Nas primeiras vezes, suas pernas e panturrilhas podem ficar um pouco doloridas. Não desista: alongue-se e aqueça-se bem antes de pular e feche o treino com um bom alongamento.

Com os dois pés: ambos os pés saem do chão e aterrissam juntos em uma volta da corda, não levante muito os calcanhares nem os joelhos para não causar impacto. Com pés alternados: é como trotar no lugar, mantenha a corda girando enquanto alterna os pés. Variação: fique duas ou três voltas numa só perna – isso o ajudará a acertar o “tempo” da corda. Com pés à frente: alterne as pernas, “chutando” a perna que está no ar à frente.

Depois que você dominar as técnicas básicas, pular corda se transforma num exercício de criatividade. Vale tudo: misturar diferentes movimentos de perna, alternar saltos, inventar novas formas de pular. Comece num ritmo leve para se aquecer e depois alterne intervalos mais rápidos e mais lentos, durante até 30 minutos.

O comprimento da corda é uma questão de gosto pessoal. Mas uma referencia geral é que ela deve ir, quando dobrada, do chão até a altura de suas axilas. Se a corda for muito longa, você terá mais trabalho para executar os movimentos; se for muito curta fará você tropeçar com mais freqüência. Existem cordas feitas de nylon, sisal, plástico e couro. As duas ultimas são as mais indicadas por serem mais pesadas e duráveis.

Observo de forma interessante às brincadeiras que já fizeram muitas crianças alegres no passado, que com o advento da tecnologia foi sendo esquecida pouco a pouco, e hoje são matérias de reportagens na mídia e diversão nas escolas onde ao invés de se isolarem na individualidade de seu computador com bate-papos virtuais, jogos, relacionamentos entre outros, as crianças na brincadeira de pular corda precisam indispensavelmente de três ou mais pessoas, instigando assim o relacionamento, a atividade física e a cooperação entre os participantes. Nas atividades escolares, culturais e esportivas o aluno organiza seu sistema de valores que influencia e são influenciados pelo ambiente.

A construção do espaço é social, e o ser humano por sua capacidade de criar usando o raciocínio, a linguagem e os objetos desse espaço, assimila diferentes culturas oferecendo oportunidades para que, dentro desse contexto, haja aprendizagem e interação. Para a criança ou adolescente, a organização do espaço por eles mesmos estimula a curiosidade, a intelectualidade, bem como formar idéias sobre a realidade que os cercam. PARRAT (2008, p.40), afirma que:

Aprender a participar numa discussão ou realizar uma tarefa coletiva que exige competências intelectuais leva o aluno a pensar por ele próprio e a tomar decisões. Além do mais, o aluno se inicia no exercício das regras sociais que o guiarão na aprendizagem da cidadania.
A realidade na Escola Adventista no que se refere às brincadeiras não é diferente, afinal a brincadeira é parte do universo que as crianças conhecem bem, ali começa o pensamento criativo, o desenvolvimento imaginário, emocional e social. A brincadeira de pular corda é praticada por muitos alunos da escola, a atividade começou aos poucos e com o tempo o número de candidatos foi aumentando o que favoreceu para a disciplina nos fins de turno. Para eles não existe um horário para essa brincadeira, estão dispostos a brincar em qualquer momento, na entrada, no recreio ou na hora da saída.

Procuro utilizar essa brincadeira como forma de estimular a disciplina. No começo das aulas não é indicado e nem praticado o pula-corda, pois os alunos entrariam suados na sala de aula, no intervalo procuramos orienta-los a consumir seu lanche de preferência. Considero que no término das aulas é o horário mais indicado para que a brincadeira seja praticada, pois além dos alunos estarem se divertindo é o momento em que eles podem extravasar toda a tensão do dia enquanto esperam o transporte para casa. As crianças ficam entretidas na brincadeira evitando assim que se machuquem enquanto esperam os pais, anteriormente verificávamos que muitos meninos ficavam brincando de futebol com objetos inadequados como garrafas de refrigerante. As meninas também ficavam inquietas correndo uma atrás da outra, com meninos puxando cabelo, sempre acarretando algum tipo de desentendimento.

Com o pula corda as meninas e os meninos podem praticar juntos, havendo interação monitorada, para que seja obedecido o limite individual de cada um, pois cada aluno possui sua identidade própria, suas dificuldades e por isso está sujeito a comparações, neste momento o pular corda não tem outro fim que não seja para a diversão e interação, monitores podem ajudar a revelar mais sobre a natureza e extensão das dificuldades das crianças com seus grupos. Como são muitos alunos querendo brincar é necessário que se forme fila obedecendo a vez de cada participante, a disciplina na fila, o respeito ao colega e a cooperação, são valores importantes que podem ser estimulados em uma brincadeira e contribuem para a formação do individuo.

Na brincadeira os alunos poderão reconhecer a existência de elementos rítmicos e expressivos praticando, a possibilidade de variações e adaptações nas regras originais de uma brincadeira, realizar atividade física como saltar com um e dois pés, agachar, girar e equilibrar-se, aproveitando ainda as suas relações com o ritmo em que esses movimentos são executados, construir seqüências de movimentos levando em conta os seus limites corporais e os dos colegas.

O local para pratica da brincadeira é o pátio central da Escola Adventista Centro América, aproveitando o espaço que conta com toldo na área central, assentos e bebedouros, os alunos podem brincar e descansar sem aquela aglomeração de alunos em frente da escola, e ilimina possíveis conflitos que costumam acontecer na saída dos estudantes. Música é uma ótima companheira para os treinos de corda. Ela anima e ajuda a manter-se no ritmo. Para a prática da brincadeira podemos utilizar músicas infantis que os alunos mesmo cantam quando pulam, as mais cantadas são “quantos anos você tem” que vai do 0 até 20 , “salada, saladinha, temperada na cozinha, sal, pimenta, fogo, foguinho, fogão”, nessa cantiga o aluno que está batendo corda vai acelerando o ritmo conforme a música vai repetindo, assim dificilmente algum aluno permanece pulando sem errar, possibilitando que outra criança entre no lugar da que errou.

Outras cantigas como “qual a nota do seu boletim” e “o homem bateu na minha porta e eu abri, senhora e senhores pulem de um pé só, senhoras e senhores de uma rodadinha, senhoras e senhores de uma mão no chão, e vá pro olho da rua”. Vejo que essa brincadeira é saudável e sem limite de idade, alunos do 1° ao 6º ano interagem, os alunos maiores até ensinam os menores a pular.


Considerações finais

No decorrer do artigo abordamos a questão da indisciplina, fator esse que continua sendo problemático em todo processo pedagógico. Fatores familiares, culturais e sociais evidenciam na realidade escolar, onde muitos pais consideram esta, a grande responsável pela disciplina dos filhos. Certamente um trabalho em conjunto, onde a família e a escola atuem em um mesmo propósito o resultado será favorável a uma melhor formação social. Nesse sentido evidencio a brincadeira de pular corda, dentro de toda estrutura educacional da escola, uma ferramenta suporte para estimular o desenvolvimento infantil e a aprendizagem no contexto escolar, onde a possibilidade de introduzir e desenvolver a idéia de diversificação e transformação de estruturas lúdicas convencionais contribua para uma disciplina desejável.


Referências Bibliográficas

AMADO, J.S. Interação pedagógica e indisciplina na aula. Porto: Asa, 2001.

GARCIA, J. Indisciplina na escola: alguns aspectos críticos para a gestão educativa. In. CONGRESSO LATINOAMERICANO DE ADMINISTRACION DE LA EDUCACION, 6, Universidade Católica do Chile, Santiago, 2 e 3 de maio 2002.

MEDINA, A. S. Supervisor Escolar, parceiro político-pedagógico do professor. In: RANGEL, M, Silva; JUNIOR, C. A (Orgs). Nove olhares sobre a supervisão. 10 ed. Campinas: Papirus, 2004.

DORIN, Lannoy. Psicologia da criança. São Paulo: Ed. do Brasil, 1978.

PARRAT, D, Silva. Como enfrentar a indisciplina na escola. São Paulo: Contexto, 2008.

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

PRINCÍPIOS E LIMITES NA EDUCAÇÃO INFANTIL





  Léia Karina Pablos - Professora da Escola Adventista Centro América,
licenciada em Pedagogia pela Faculdade AVEC –
Associação Várzea-grandense de Ensino e Cultura. E-mail: leia_lkp@hotmail.com
(Trabalho resultante do PQD - Prêmio de Qualificação Docente 2008,
Incluso na Revista Digital - PQD 2008 - Rede Adventista AMT)

RESUMO


A presente reflexão tem como objetivo apresentar a importância de estabelecer uma aproximação a respeito de alguns princípios na educação infantil, que possibilitará à criança o exercício da autonomia para se expressar, da sensibilidade e respeito ao outro, para abrigar diferentes opiniões e sentimentos. Pensa-se em uma construção de princípios e limites que permita o desenvolvimento da alteridade na convivência coletiva, com acolhimento das diferentes singularidades. O vínculo afetivo com o professor torna-se essencial ponto de partida para toda uma ação pedagógica, que usando de estratégias eficazes, poderá desenvolver na criança o sentido ético de escolher o melhor para todos quando decide o que é melhor para si.

Palavras-Chave: Limites, princípios, indisciplina, afeto.


Introdução

Nos nossos dias, cada vez é mais difícil estabelecer limites na educação infantil e fazê-los respeitar. Hoje, a posição do aluno é muito diferente da que conheceram o seu pai e o seu avô. Estes viveram entre a Família e a Escola, em meios homogêneos, onde toda a gente admitia os modos de vida aceitos pela maioria e rejeitava quaisquer outros. Com o efeito da evolução das condições gerais de vida, em todos os meios, as crianças tornaram-se mais independentes, menos dispostas a obedecer à autoridade dos adultos.

As pessoas que rodeiam o aluno, mais propriamente as pessoas da família, influem muito no seu comportamento, pois a criança nasce no seio desta, sendo, portanto, os pais os verdadeiros educadores, a escola apenas reforça essa educação. A extraordinária influência dos que quotidianamente tratam com os alunos reflete-se em muitos dos atos praticados por eles.

A noção de limites está relacionada com a noção de disciplina. Essa concepção de disciplina ou limites, no entanto, baseada em um paradigma estímulo-resposta, tende a cair em descrédito atualmente, pois as pesquisas têm mostrado a necessidade de levar a criança a compreender a relação entre os limites e os princípios morais.

Todos nós temos modos peculiares de educar, adotando um determinado estilo parental, tendo em conta os valores que nos foram transmitidos, bem como, o ideal de educação que fomos construindo.


No intuito de cumprir da melhor forma possível a nossa tarefa, enquanto professores é essencial que possamos refletir sobre os modos de agir com as crianças, desenvolvendo princípios, regras e limites, pois, só assim, a criança terá a oportunidade de ampliar a sua consciência moral e gerir as suas próprias emoções.

Uma das maiores dificuldades enfrentadas pelos educadores hoje nas escolas é conseguir trabalhar com a falta de limites dos alunos quase sempre oriundos da falta de princípios que possam nortear o comportamento de convivência saudável com outras pessoas. A incoerência é uma característica comum verificada na grande maioria de nossas crianças.

Este tema é, sem dúvida, demasiado vasto. Tendo em vista a sua amplitude, serão tratadas apenas algumas vertentes, não numa perspectiva de meta de chegada de conhecimentos definitivos, mas de ponto de partida para outras abordagens interativas do ato educativo.

Como o limite constitui, atualmente, uma das questões que são bem discutidas no âmbito escolar, não podia deixar de serem referidos, também, os efeitos positivos que ele produz em relação às crianças.

Portanto, o objetivo que se propõe o presente artigo será identificar concepções de princípios e limites e a falta dele, e como professores e pais poderão utilizar de estratégias e incorporarem no seu cotidiano.

Alguns fatores apontam as causas da falta de limites na educação das crianças de um modo geral, destacando os valores morais e religiosos que sumiram da sociedade moderna. Outro aspecto importante é a ausência dos pais na vida da criança, deixando a educação dela aos cuidados das instituições educacionais.

Esta omissão na educação gerou um sentimento de culpa nos pais, que, para compensar, acabam sendo permissivos em demasia com os seus filhos. É de suma importância o “não” dos pais, assim o filho aprende que na vida nem sempre será feita a sua vontade e que ele precisa atingir a maturidade na idade adulta, caso contrário será uma eterna criança mimada.

No âmbito da educação infantil, a inter-relação da professora com o grupo de alunos e com cada um em particular é constante, dá-se o tempo todo: na sala, no pátio ou nos passeios, e é em função dessa proximidade afetiva que se dá a interação com os objetos e a construção de um conhecimento altamente envolvente.


No Dicionário Aurélio (1994), o verbete afetividade está definido da seguinte forma: “Psicol. Conjunto de fenômenos psíquicos que se manifestam sob a forma de emoções, sentimentos e paixões, acompanhados sempre da impressão de dor ou prazer, de satisfação ou insatisfação, de agrado ou desagrado, de alegria ou tristeza.”

Portanto, a afetividade exerce um papel fundamental nas correlações psicossomáticas básicas, além de influenciar decisivamente a percepção, a memória, o pensamento, a vontade e as ações e ser, assim, um componente essencial da harmonia e do equilíbrio da personalidade humana.

(...) o educador serve de continente para a criança. Poderíamos dizer, portanto, que o continente é o espaço onde podemos depositar nossas pequenas construções e onde elas tomam um sentido, um peso e um respeito, enfim, onde elas são acolhidas e valorizadas, tal qual um útero acolhe um embrião. (SALTINI, 1997, p. 89)
Na condição de educador, é preciso estar atento ao fato de que, enquanto não se der atenção ao fator afetivo na relação educador-educando, corre-se o risco de se estar só trabalhando com a construção do real, do conhecimento, deixando de lado o trabalho da constituição do próprio sujeito, que envolve princípios e o próprio caráter necessário para o seu desenvolvimento integral.

A educação compreende mais que conhecimentos de livros. A devida educação inclui, não somente a disciplina mental, mas aquele cultivo que garante a sã moral e o correto comportamento. (Conselhos sobre Educação - Ellen White, p. 52)
Quem corrige, mesmo querendo o bem do outro, corre o risco de ser mal interpretado, contudo, demonstra um grande amor e cuidado com o outro. Só quem nos ama nos diz “não”. Para educar é preciso esforço, dedicação, perseverança, paciência, sobretudo, amor.

No entanto, no trabalho cotidiano em sala de aula, é possível presenciar, diariamente, cenas de indisciplina das crianças e questionamentos às regras da escola, e quando isso ocorre nos deparamos com aquelas crianças que chamamos de “criança difícil”.

A criança difícil é aquela que coloca repetidamente em perigo a si mesma ou a outros ou que perturba regularmente as atividades de outros por um comportamento descuidado ou agressivo.


O resultado são confrontações diárias, colegas aborrecidos e freqüentes interrupções nas atividades planejadas.

Assim fala MIELNIK (1982):

Crianças excessivamente inquietas, agitadas, com tendências à agressividade, se destacam no grupo pela dificuldade de aceitar e cumprir as normas, às vezes, não conseguindo produzir o esperado para sua idade. Estas crianças representam um desafio para suas famílias e escola, cabendo a estes estabelecer os métodos de orientação mais condizentes a cada situação e estabelecer os níveis de regimes necessários para obtenção da disciplina.(p. 60).
A rejeição e a desaprovação são sentimentos de inferioridade e má-vontade para com os outros. Uma criança rejeitada pelo grupo pode tornar-se mal comportada para chamar atenção sobre si e desta forma aumentar suas sensações de importância individual.

A criança busca sempre a aprovação de outra pessoa, isso é o que ocorre em um contexto social quando um indivíduo provoca uma resposta de outro ser humano. É importante saber que as respostas não precisam ser positivas para significarem aprovação.

Por exemplo, a criança que apanha do pai e só assim tem sua atenção pode achar (inconscientemente) que a violência é um meio efetivo de obter aprovação social.

A criança difícil é difícil de amar, pois seus comportamentos são aleatórios.

Uma estratégia importante é conversar com a criança para compreender sua maneira de se comportar. Após um episódio perturbador, pedir que a criança fale de seus sentimentos e que explique o mau comportamento é útil. O objetivo é ajudar a criança a reconhecer sentimentos e identificar reações emocionais e comportamentais que seguem um padrão.

Pedir para que ela pense como os outros pensam, é apoiar sua construção de visões alternativas de determinado evento, contudo, o encorajamento do grupo para expressar seus sentimentos abertos e honestamente, ajudará ela se confrontar com os seus aspectos hostis do mau comportamento.

Isso fará que a criança comece a reconhecer e rotular sentimentos que não são conscientes. Desafiando-a perceber-se quando quer chamar a atenção, por exemplo.


Uma das primeiras lições que a criança precisa aprender é a lição da obediência. Antes que fique bastante idosa para raciocinar pode ser ensinada a obedecer. Deve estabelecer-se o hábito por meio de um esforço brando e persistente. Assim se podem evitar em grande parte aqueles conflitos posteriores entre a vontade e a autoridade, os quais tanto concorrem para criar hostilidade e amargura para com os pais e professores, e muito freqüentemente, resistência a toda autoridade, humana ou divina. (Conselhos sobre Educação, Ellen White, p. 287)
O objetivo do professor é ajudar a criança a conscientizar-se de seus sentimentos e padrões de reação, bem como oferecer modos alternativos de sentir e reagir. Por exemplo: para uma criança que sempre é a última a chegar à fila, a professora pode oferecer a ela a sugestão de ser sempre a última para ter certeza que todos já chegaram à fila. Esta intervenção paradoxal é efetiva quando traz a consciência da criança sua intenção de ser a última a fim de controlar o grupo e chamar a atenção. Com a sugestão a professora ofereceu um meio direto e aceitável de controle. A criança pode optar por continuar a comportar-se deste modo de acordo com a intenção consciente.

Outro exemplo é trabalhar para valorizar algo da criança (um jogo ou livro que ela traga, ou uma sugestão que faça etc.) e refazer os conceitos e padrões estabelecidos pelo grupo. Sugerir que o grupo mostre como apreciaram a novidade que ela trouxe ou como foi boa sua sugestão. Pensar em modos de construir elos de amizade pela análise das qualidades da criança difícil. À medida que a criança difícil começa a ter experiências mais positivas com os outros é possível que também comece a vincular novos sentimentos positivos a certas interações com outros.

O desafio do professor é ajudar para que a criança tenha repetidamente essas experiências e, assim, possa construir os novos valores como algo permanente. Isto ocorre com tropeços e gradualmente ela os consolidará. É importante que a criança comece a exercitar a vontade, que faça escolhas conscientes nas suas relações com os outros.

Segue algumas diretrizes para lidar com a “criança difícil”: Respeitar, valorizar e acreditar na criança, superando a reação de rejeição do grupo; Reconhecer a necessidade subjacente de formar conexões e vínculos com outros e sua capacidade potencial para superar problemas; Quando a criança testar os limites do professor as respostas devem ser assertivas, pois ela é capaz de sentir qualquer sinal de hesitação; Não reagir com rejeição ou deixar de aprovar, negando os conflitos emocionais da criança, pois fortalecerá mais ainda o sistema de crenças da criança difícil; Não duvidar da capacidade da criança de resolver seus conflitos e cooperar com os outros, pois com esta dúvida ela se conscientizará de sua inadequação; Comunicar respeito, aprovação e fé na criança, reconhecendo seus pensamentos, sentimentos e comportamentos; Aceitar o que ela diz, sente e faz escutar e responder; Prestar atenção na criança. Reconhecer com contato ocular direto ou com um simples gesto de cabeça, ou um “sim” ou “entendo”; Usar a “escuta reflexiva”, repetindo o que a criança disse, tentando entender seus pensamentos e sentimentos, sem julgamentos ou críticas. Isto não quer dizer concordar com o que foi dito; Marcar encontros com a criança para expressar seus sentimentos, mostrando seu carinho e sua preocupação.


Trabalhar deste modo com todas as crianças são princípios que serão úteis para lidar com qualquer criança em momentos difíceis.

Ouço depoimentos de professores relatando histórias de alunos que se negam a fazer lições de casa ou a estudar determinado tema, ou a participar de um trabalho coletivo e, como justificativa, estas crianças dizem que não querem, que é chato. Quando os professores insistem, dando um limite claro, que é importante e necessário fazer determinada atividade escolar, elas replicam, revestidas de autoridade, que não querem fazer e que não vão fazer.

E agora? Como proceder? Estas crianças acreditam que só devem fazer o que lhes dá prazer, o que elas aceitem. Não aceitam submeter-se a um processo mais trabalhoso e mais elaborado. Não aceitam os procedimentos necessários à aprendizagem. Não querem, como se diz em linguagem popular, suar a camisa. Se estes professores recorrem aos pais, eles replicam: "Você viu só? Ela só faz o que ela quer..." ou ainda: "Ele é fogo, não obedece mesmo!".

Muitos pais acreditam que, por não estarem dando a atenção que gostariam de dar a seus filhos, não têm o direito de lhes exigir responsabilidade. "Ela ainda é uma criança...", pensam.

Outra situação relacionada ao fato da culpa por não estar mais perto de seus filhos é o hábito de dar coisas para compensar a ausência, como se este procedimento os redimisse e os tornassem bons pais e merecedores do amor e admiração de seus filhos. Acabam construindo um circuito de prazer em que a frustração deve ser evitada a todo o custo. Quem não se propõe a trabalhar suas dificuldades, a viver situações de estresse e de frustração e a entender a dinâmica social, não poderá inserir-se adequadamente neste contexto. Vale dizer que, ao poupar uma criança do trabalho de crescer, a condenamos a ser eternamente uma criança, imatura e despreparada para o convívio e para o exercício da cidadania.


Os porquês, os princípios e os limites são fundamentais para que a criança entre no universo da razão. É esperado que uma criança só queira viver coisas que lhe deem prazer; no entanto, é fundamental que seus pais e professores lhe mostrem que o esforço faz parte das conquistas. Ninguém morre por não ser atendido em um desejo.

O objetivo da disciplina é ensinar à criança o governo de si mesma. Devem ensinar-se-lhe a confiança e direção próprias. Portanto, logo que ela seja capaz de entendimento, deve alistar-se a sua razão ao lado da obediência. Conselhos sobre Educação, Ellen White, p. 287.
Inicialmente, uma criança obedece por respeitar a pessoa que impõe o limite. Depois, com a repetição e o entendimento de sua lógica, a criança compreende e aceita o limite, e este passa a ter um sentido social, além de uma lógica pessoal. Para que isso ocorra, são necessários muitos "nãos" e seus devidos "porquês", além de uma boa dose de paciência, de escuta e de atenção.

Algumas atitudes favorecem a educação e a colocação de limites que na maioria das vezes, um "não" é uma forma de querer bem à criança, de mostrar preocupação com ela, de mostrar proteção. Fica claro que as crianças necessitam de uma definição clara da conduta aceitável e inaceitável. Sentem-se mais seguras quando conhecem o que podem e o que não podem fazer.

Muitos alunos não respeitam seus professores, e essa indisciplina prejudica o ensino e a aprendizagem. A escola, juntamente com seus professores e orientadores estão tendo dificuldades em estabelecer limites na sala de aula, bem como intervir nos seus maus comportamentos.

Percebe-se que cada vez mais os alunos vêm para a escola com menos limites trabalhados pela família. Muitos pais chegam mesmo a passar toda a responsabilidade para a escola e acabam exigindo da mesma uma postura autoritária.


Para que haja uma mudança, é preciso que alguns papéis sejam resgatados. A família deverá ter participação efetiva, tanto na educação, quanto no aprendizado e, principalmente, na questão dos princípios.

Segue algumas atitudes do professor que favorecem a relação com os alunos: Manter sempre os alunos ocupados porque nada favorece tanto a indisciplina como não ter nada que fazer; Evitar centrar-se num aluno, pois os outros ficarão entregues a si mesmos; Não fazer alarde de rigor. Quando for necessário corrigir, fazê-lo com naturalidade e segurança; Aproximar-se dos alunos de modo amigável, tanto dentro como fora da escola; Estar a par dos problemas particulares dos alunos para poder ajudá-los quando necessário; Se tiver de fazer uma admoestação, que esta seja firme, mas que nunca ultrapasse a linha do amor próprio e seja de preferência em privado; Ser coerente e não justificar as incoerências. Quando houver alguma incoerência o melhor é reconhecê-la e honestamente retificá-la; Ao aplicar-se um castigo deve ser mantido e cumprido, a não ser que haja um grande equívoco que justifique uma mudança de atitude; Não se deve castigar sem explicar clara e explicitamente o motivo do castigo; Evitar ameaças que depois não possam ser cumpridas, pois isso tira o prestígio do professor; Há que ser pródigo em estímulos e reconhecimentos de tudo o que de bom faça o aluno, embora sem exageros ou formas que pareçam não serem sinceras; Mandar o menos possível. O ideal é conseguir com o mínimo de ordens. Mandar o estritamente necessário e com a certeza de que vamos ser obedecidos; A correção deve ser: silenciosa: falar em voz baixa e só por necessidade; sossegada: sem perturbação, impaciência ou exaltação; afetuosa: persuadir pelos sentimentos afetuosos e não pelo discurso; Saber manter o equilíbrio entre a dureza e a amabilidade. A jovialidade e a alegria do professor devem manifestar-se, em todas as circunstâncias.

As crianças precisam de regras vindas de seus educadores, que não podem se esquivar da tarefa de colocar os limites necessários para que elas se desenvolvam bem e consigam se situar no mundo.

Esse estudo terá como metodologia inicial a pesquisa bibliográfica, buscando conhecer a opinião dos diversos autores que comentam o assunto através de livros, artigos, Internet e demais meios disponíveis para consulta.


O método que será utilizado para o desenvolvimento desse trabalho consiste no uso das estratégias de convivência proposta neste artigo, bem como confecção de cartazes ilustrativos do que é e do que não é permitido fazer na escola, como por exemplo, utilizando alguns sinais: Proibição; Obrigação; Rostinho triste, quando um aluno faz algo errado; Rostinho feliz, quando ele tem um bom comportamento.

O presente trabalho será proposto aos alunos da Educação Infantil (Jd. I) do Ensino Fundamental, da Escola Adventista Centro América, pelo fato de haver nesta sala de aula, alguns alunos com problemas de indisciplina, e falta de limites.

A partir desse diagnóstico, serão aplicadas algumas estratégias mencionadas neste artigo, com as quais os alunos aos poucos irão se descobrindo conhecedores da ética e do bom relacionamento.

Conforme a proposta de pesquisa desenvolvida, os resultados obtidos serão possivelmente satisfatórios, tendo em vista este ser um trabalho de caráter contínuo e de longo prazo.



Considerações finais

É preciso considerar os obstáculos envolvidos na construção dos conceitos referente aos princípios, limites e a falta dele.

Acredito que o estabelecimento de princípios e limites está intimamente ligado a um processo que se inicia praticamente desde a barriga da mãe, onde o bebê sente a relação de aceitação, proteção, amparo, orientação, os quais são elementos essenciais para a sua formação.

Estes limites deverão ser claros, constantes e confiáveis para orientar com segurança o caminho a ser percorrido. Limites estes que deverão ser estabelecidos com amor, respeito, carinho, paciência e tolerância, mas também, com firmeza e convicção.

Considerando que a formação de princípios é uma preocupação comum em todo o sistema educacional, pais, familiares, escola, comunidade e a sociedade de um modo geral compartilham da responsabilidade pela educação de nossas crianças.


Portanto, devemos ter sempre em mente que quem educa a criança é o adulto, sendo assim, o tipo de educação dado à criança vai depender do adulto. Este adulto deverá ser seguro e confiante em si mesmo, certo de sua iniciativa e atitudes. Principalmente deverá amar a criança, procurando compreendê-la e aceitá-la sem exageros em suas exigências.



Referências bibliográficas

DeVries, Rheta, A ética na educação infantil: o ambiente sócio - moral na escola.

Porto Alegre: Artes Médicas, 1998.

DICIONÁRIO AURÉLIO. Novo Dicionário da Língua Portuguesa. Editora Nova Fronteira.

MIELNIK, Isaac. O Comportamento Infantil: Técnicas e Métodos para entender Crianças. 2.ª edição, São Paulo: Ibrasa, 1982.

Revista Urutágua, Centro de Estudos Sobre Intolerância - Maurício Tragtenberg Publicada em 03.12.04 - Última atualização: 18 agosto, 2005.

Revista Leonardo Pós, vol. 1 n.3 - ago.-dez./2003, Órgão de Divulgação Científica e Cultural do ICPG 28.

SALTINI, Cláudio J. P. Afetividade & Inteligência. Rio de Janeiro: DPA, 1997.

WHITE, Ellen – Conselhos sobre Educação.

http://nuep.org.br/apr.php

WWW.recantoinfantil.com.br

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

RELATÓRIO DE AVALIÇÃO DESCRITIVA


CONCEITO


O RELATÓRIO DE AVALIAÇÃO DESCRITIVA É UM DOCUMENTO QUE SE ENTREGA AOS PAIS NO FINAL DE UM PERÍODO PRÉ DETERMINADO PELA ESCOLA ONDE SE DÁ CIÊNCIA A ELES SOBRE O TRABALHO DESENVOLVIDO PELA ESCOLA, AS CONQUISTAS E PROGRESSOS DOS ALUNOS. Não é um documento que se caracteriza como a palavra final acerca do desenvolvimento da criança, mas é um diálogo que se abre com a família para entendê-la melhor. Por exemplo: Na escola em determinada situação a criança age assim...Vamos conversar para ver se em casa também ela reage assim? O que podemos fazer juntos para ajudá-la?

COMO ESCREVÊ-LO?

Na abertura, escrevemos de uma forma geral sobre os projetos realizados no período, descrevemos o interesse da turma, as atividades mais marcantes e as aprendizagens significativas que eles tiveram. Essa escrita pode ser igual para todos, variando as falas sobre o desenvolvimento específico da criança, reação da mesma referente ao projeto, ou quando houver um possível objetivo que não foi alcançado, neste caso expor as ações que serão realizadas para auxiliar o aluno. Dessa forma esse relatório se torna mais exclusivo, mais pessoal.

Em vez de dizer: Nesse bimestre a professora fez isso, propôs essa atividade etc, etc..., Fale na perspectiva do aluno: Mariana aprendeu que... ela amou fazer isso... participar daquilo, ficou entusiasmada ao... etc., etc. Para o pai, interessa MUITO as reações, as falas e as aprendizagens de seu filho.

Em seguida escrevemos em mais um ou dois parágrafos sobre a criança, seu jeito de ser, seus relacionamentos, aspectos de independência e autonomia. Esse é o Eixo Identidade e Autonomia (RCNEI vol. 2).

Nos parágrafos seguintes comentamos sobre o desenvolvimento da criança em cada eixo trabalhado: Corpo e Movimento, Artes Visuais e Música, Natureza e Sociedade, Ensino Religioso, Linguagem Oral e Escrita, e Matemática (seis eixos no total).

Às vezes, podemos no mesmo parágrafo colocar dois eixos como por exemplo: Música e Artes Visuais, se o que for escrever não for muito.

Os professores das aulas especiais também precisam deixar com a professora titular o seu parecer sobre cada aluno.

Esse relatório tem que ser coerente e coeso. Não pode parecer que muitas pessoas escreveram e aos poucos foram colocando suas escritas uma após a outra, sem muita lógica ou continuidade. Uma releitura final para perceber esses aspectos é importante.

Cada coordenadora deve comunicar as datas de entrega desses relatórios com antecedência e esse prazo deve prever um tempo razoável para a coordenadora ler todos os relatórios, conversar com o professor e devolvê-lo para as possíveis correções. Essas primeiras correções devem ser realizadas junto com o professor para que se tome consciência dos aspectos a melhorar, e o juntos tenha a oportunidade de crescer ao refletir sobre as correções feitas. Lembrando que sempre é preciso o caderno de campo para subsidiar o relatório, a cabeça não se lembra de tudo se não estiver anotado.

NESSA EXPERIÊNCIA, SERIA IMPORTANTE ANTES DA PROFESSORA ENTREGAR PARA A COORDENADORA TODOS OS RELATÓRIOS, QUE APRESENTE UNS 3 RELATÓRIOS ( antes de escrever os demais ). Esses relatórios podem ser de um ÓTIMO aluno, de um BOM, e de um aluno que APRESENTA ALGUMA DIFICULDADE. Dessa forma os possíveis erros que poderão surgir, já seriam corrigidos antes dos demais relatórios serem escritos.

Se a coordenadora perceber, pelos erros que encontra, que não houve uma revisão geral (leitura final), por parte do professor, deve devolver para que essa leitura seja feita. Tudo isso precisa ser feito com muita atenção, por isso é necessário que os prazos sejam respeitados, para que não haja atropelos. Esse é um documento de uma ESCOLA para uma FAMÍLIA, por isso não pode ter erros. É um documento muito sério, que dependendo dos termos utilizados podem trazer grandes transtornos para o profissional que o escreveu e para a escola.

A base da redação deve estar apoiada em dois pilares:

1º) Nos objetivos específicos propostos para cada eixo temático, relacionados no bimestre; (ver referenciais e livro para consulta :Aprender e Ensinar na Educação Infantil – Eulália Bassedas – Cap. 5 ( Artmed ).

É imprescindível construir uma pauta (caderno de campo) de observação para facilitar e ir elaborando o relatório durante o bimestre.

2º) As anotações feitas pela professora diariamente ou semanalmente, podem ser feitas num caderno ou já em uma pasta aberta no computador com uma página para cada aluno.

Dicas gerais:

• Quando for escrever sobre a criança, por exemplo, no Eixo Identidade e Autonomia, coloque primeiro os aspectos positivos, só depois os negativos; cuidado para não afirmar “a criança é insegura”, em lugar disso descreva suas ações e reações: “Quando Fabiana chega na escola, primeiro pára na porta, olha e procura a professora, se ela me vê, sente-se a vontade quando....

• Cuidado para não emitir seu parecer sobre a criança, quando o que você está se referindo são aspectos subjetivos. É muito comum descrevermos uma situação e já “darmos“ o julgamento. Por exemplo: “Ela não participa das conversas na roda pois tem vergonha (quem disse que é por vergonha ? Podem ser devido a outros fatores).

• Quando colocamos uma situação que a criança está com dificuldades, sempre precisamos escrever o que temos feito para ela crescer ou superar essa dificuldade. Exemplo: Margarida tem dificuldade de perdoar o amigo, preciso sentar, conversar com ela e chamar o amigo para ela pedir perdão, preciso começar a conversa e “dar um força” para ela pedir desculpa... OU... Para a Fabiana participar do texto coletivo com suas opiniões, a professora precisa perguntar diretamente para ela: O que você está pensando? Pode falar Fabiana! Dessa forma ela sente-se segura, e mesmo baixinho, ela dá sua sugestão.

• Não escrever “Ainda não consegue... dê preferência para colocar o que ela(o) consegue fazer sozinha ou com ajuda de alguém.

• Termine sempre com palavras carinhosas, demonstrando que gosta, que acredita na criança...

• Anexe folhas de exercício que a criança realizou, quando for importante e necessário esclarecer melhor aos pais ou como uma comprovação do que você está se referindo. Exemplo: O Rafael está escrevendo uma letra para cada sílaba de seu nome e geralmente utiliza as letras de seu nome, demonstra estar na hipótese silábica sem referência sonora. Neste caso, se ainda não foi explicado para os pais sobre as hipóteses, etc. anexar um informativo a respeito (padronizar algo com o coordenador).

• São exemplos de situações que podem vir como anexo: “O nível que a criança está na escrita, a forma como ela resolve problemas matemáticos, a resolução de problemas através de desenho, problemas matemáticos , desenho da figura humana, resolução de escrita espontânea ou sobre algo que você precisa exemplificar”.

• Cuidado com expressões muito gerais: “O Fabrício se desenvolveu bem nas questões de produção de texto coletivo e na expressão oral.” Isso é muito geral. É necessário descrever o seu crescimento. O que ele faz, que o levou a essa conclusão? Ele participa com ideias coerentes, bem organizadas, criativas? Ele se expressa de forma clara com pronúncia correta das palavras, fala de forma espontânea?

• Um professor que presta conta aos pais através de um relatório descritivo, precisa ser muito observador e não confiar que a sua mente vai “guardar” tudo. É preciso valorizar e colocar em prática o seu registro com as suas reflexões. Ninguém observa todas as crianças de uma vez e nem consegue observar tudo. Escolha umas 4 ou 5 crianças para você observar por atividade ou até por dia. Isso facilita. Antes disso, sua planilha de observação tem que estar feita para você saber o que vai observar, o que é mais pertinente? Nível de leitura, Conceitos matemáticos, etc.

• Uma avaliação diária do trabalho do desenvolvimento da criança, não é só para prestar conta aos pais. É uma avaliação para o professor nas questões referentes à metodologia, gestão do espaço, do tempo, das relações com as crianças, etc. O professor precisa fazer essas reflexões o tempo todo para ir corrigindo, reformulando a sua prática e favorecer de forma cada vez mais competente a aprendizagem e desenvolvimento pessoal e social de seus alunos.

• Lembre-se que a cada bimestre você vai escrever um novo relatório e é importante arquivar todos eles para não ficar repetindo o que falou nos anteriores. Por isso no início do bimestre já deve estar definido o que você vai observar durante o mesmo.

Sucesso a todos nessa caminhada. Não esqueçam de orar toda vez que forem planejar, iniciar sua aula e escrever um relatório. Deus dá sabedoria e supre nossas necessidades, se assim lhe pedirmos e o buscarmos com fé.

Colaboração: ELENI HOSOKAWA WORDELL
Adaptação: Nádia Teixeira da Silveira

terça-feira, 7 de setembro de 2010

A CRIANÇA E O ATO DE POETIZAR O MUNDO ATRAVÉS DO DESENHO


A CRIANÇA E O ATO DE POETIZAR O MUNDO ATRAVÉS DO DESENHO
Michele Idaia dos Santos1

Resumo Este ensaio parte de uma investigação que aprofunda a relação entre a criança e o desenho a partir da perspectiva teórica do pensamento fenomenológico de Merleau-Ponty, o qual permite compreender a visão sincrética das crianças: aquela que não separa corpo e mente, imagem e palavra. Merleau-Ponty (1990) sugere que o desenho da criança é uma primeira maneira de estruturar as coisas, ou seja, é através do próprio desenho que a criança passa a descrever o que percebe do e no mundo. Nesse momento, marca sua presença e participação na existência das coisas lançando sentidos no grupo através dos atos de: misturar traços, linhas e cores para produzir narrativas através do desenho. A imaginação poética em Bachelard (2006) permite compreender que o devaneio operante emerge como abertura às linguagens, ao afirmar que a imaginação é capaz de nos fazer engendrar aquilo que podemos ver porque nos faz crer no que vemos. Nesse sentido, só podemos ver bem se sonhamos o que vemos. É através do devaneio que a criança habita o mundo e, para torná-lo seu, pode aproximá-lo e miniaturizá-lo pelo desenho. Palavras-chave: criança, desenho, narrativa.


1. A criança e o desenho

As condições para me compreender, e então compreender necessariamente, eu as conheço bem. É preciso ter (...) ouvidos novos para música nova. Olhos novos para o mais longínquo. Friedrich Nietzche

Este ensaio sobre o ato de desenhar lança um olhar à educação das crianças com a intenção de ultrapassar os limites da psicologia do desenvolvimento, cujo objeto de estudo foca o produto e não o processo que se estabelece no ato de desenhar. A interlocução entre as fenomenologias do corpo operante em Merleau-Ponty e da imaginação poética em Bachelard permite compreender a inseparabilidade entre corpo, imagem e palavra, entre narrar o mundo através do desenho e habitá-lo pelos devaneios da mão. Enquanto em Merleau-Ponty (1990) o desenho da criança é a primeira maneira de estruturar as coisas, isto é, através do ato de desenhar a criança narra sua percepção das coisas no e com o mundo, em Bachelard (2006) o devaneio operante emerge como abertura às linguagens ao afirmar que a imaginação é capaz de nos fazer engendrar aquilo que podemos ver porque nos faz crer no que vemos, só podemos ver bem se sonhamos o que vemos! É através do devaneio que a criança habita o mundo e, para torná-lo seu, pode miniaturizá-lo pelo desenho. O Filósofo francês Henry Focillon (2001) contribui para compreender a relação entre corpo e traço ao afirmar que a mão cria e pensa ao encaminhar o corpo para o espetáculo de tornar visível algo. A metodologia busca despir-se de pré-conceitos em relação ao desenho para perseguir o ponto de vista das crianças a partir da reivindicação de Corsaro (1997, 2003) pela presença de um “adulto atípico”, aquele que não tenta corrigir ou controlar seu comportamento. Como resultado parcial, o estudo aponta para a relevância de pensar a ação narrativa através do ato de desenhar enquanto ação sensível de tornar o mundo inteligível para si e para os outros. Aqui, o desenho não é liberação de emoções, mas um sair de si para voltar transformado. Na ação temporal de desenhar a criança não fornece informações das coisas que vê, mas presta testemunho de sua relação no e com o mundo.


2. O desenho e a criança

O encontro com a fenomenologia de Merleau-Ponty permite a ultrapassagem da clássica clivagem entre sujeito e objeto ao permitir contornar os obstáculos tanto da psicologização da imagem quanto da soberania da razão para reabilitar o corpo como linguagem e adesão ao mundo. A fenomenologia do corpo operante contribui para afirmar o dinamismo que impede a imagem de encerrar-se em algum lugar remoto da mente, de deixar-se confinar em um sentido que a reduziria ao estado de signo e a mumificaria. As realizações
da arte2, permitem a comunhão entre corpo e mundo porque a conduta poética é instauradora: é ato no mundo e não discurso sobre o mundo (RICHTER, 2005). Há uma significação “linguageira” da linguagem que não se prende ao “penso” mas ao “posso” que diz respeito ao ser próprio do gesto humano inaugurar sentidos realizando uma experiência e sendo essa própria experiência, isto é, agindo ou – aqui - desenhando. No pensamento de Merleau-Ponty (1991, p.79), “as palavras, os traços, as cores que me exprimem saem de mim como os meus gestos, são-me arrancados pelo que quero dizer como os meus gestos pelo que quero fazer”. Meu corpo pode significar para além de sua existência, ou seja, pode começar, anunciar ou recomeçar e implantar um sentido naquilo que não tinha. E nas palavras de Merleau-Pony (2002, p.186) a ação pode ser pensada através do ato de “marcar no papel um traço de nosso contato com esse objeto e esse espetáculo, na medida em que fazem vibrar nosso olhar, virtualmente nosso tato, nossos ouvidos, nosso sentimento do acaso ou do destino ou da liberdade”. Nesse sentido, cabe, apoiar-se na reflexão de Henri Focillon (2001, p.111) que delibera a mão, como órgão que convida a ter percepções táteis no mundo, designa a essa tão fabulosa parte do corpo, função de permitir o contato com a dureza do pensamento humano. Propondo re-significação do vivido, convidando a operar e transgredir, supondo o engravidamento da palavra.

Merleau-Ponty convida a operar uma redução fenomenológica3 até a experiência originária em que o mundo se constitui como percebido. O mundo ser um percebido implica voltar-se para o domínio do vivido, do pré-reflexivo, do imediato: o corpo como “sensível exemplar”. Não como ponto de partida e de chegada, mas o corpo e seu poder de ser afetado pelo sensível como centro de toda problemática. A sensibilidade ao mundo e ao outro é nosso primeiro elo com mundo. Em Merleau-Ponty o corpo deixa de estar na dependência do poder soberano da consciência (eu penso) para exercer a mediação com o mundo, marcando sua presença em nós. O que o fenomenólogo insiste em destacar é que na relação entre as coisas e meu corpo não há coincidência perceptiva. A experiência perceptiva é única, imprevisível e compartilhada (1999 p.20), “é ela a responsável de que, às vezes, eu permaneça na aparência, e outras, atinja as próprias coisas; ela produz o zumbir das aparências, é ainda ela quem o emudece e me lança em pleno mundo”. Diante disso é válido pensar o universo infantil que em algumas concepções é percebido por falho, obscuro, incompleto assim o desenho da criança é resumido a incapacidade sintética. Onde, necessita ser estimulada, preparada para representar signos que culturalmente foram construídos. Para Merleau-Ponty (2002, p184) essa acepção pode-se definir por ilusão objetivista, pois, estamos convencidos de que o ato de exprimir, em sua forma normal ou fundamental, consiste, dada uma significação, em construir um sistema de signos tal que a cada elemento do significado corresponda um elemento do significante, isto é, em representar. Assim o representar simboliza que, ao desenhar a criança precisa de modelo, simultaneamente transferi-lo e produzir sobre o papel uma espécie equivalente seu. O grande objetivo ai, seria tornar a criança capaz de representar a partir da perspectiva planimétrica, a qual seria única solução do problema, assim o desenho infantil estaria se encaminhando para a perspectiva.


Entre as duas teses de doutoramento – A estrutura do comportamento (1942) e A fenomenologia da percepção (1945) – e a última obra O visível e o invisível (1964)4, Merleau-Ponty foi professor, na Sorbonne, de Psicologia da Criança e Pedagogia quando dedicou atenção especial ao estudo das questões voltadas para a aprendizagem, condição de inserção na cultura e no mundo. Neste momento (1949-52), aprofunda a compreensão filosófica do corpo a partir dos estudos da percepção e da linguagem na infância, do desenho infantil e sua relação com os adultos, para alcançar o pensamento selvagem. Em suas palavras, como bem o mostram as antecipações extraordinárias da vida adulta na infância; podemos dizer que o homem total já está ali. A criança compreende muito além do que sabe dizer, responde muito além do que poderia definir, e, aliás, com o adulto, as coisas não se passam de modo diferente (Merleau-Ponty apud Richter,1999, p.23).
 
Assim sendo, o filósofo desenvolve, em seus cursos (1949-52), uma psicologia filosófica a partir da Teoria da Gestalt e da problematização à epistemologia genética de Jean Piaget para afirmar o desenvolvimento infantil como momento completo por si em sua inteireza. Para Merleau-Ponty, a experiência infantil é sempre a de uma totalidade. Para o filósofo, “é talvez com a condição de não falar de uma“representação do mundo” na criança que nós chegaremos a tomar consciência dessa aderência às situações dadas que seria o caráter essencial do pensamento infantil” (MERLEAU-PONTY, 1999, p.238). Trata-se de perseguir argumentos que permitam problematizar a exacerbação psicológica na abordagem do desenho na infância.


Desse modo o autor singulariza esse universo imaginário da criança através do sincretismo. Para o filósofo,
na criança a percepção é sincrética. As estruturas são amontoadas, globais e inexatas. Algumas vezes, em compensação, a criança pára diante dos detalhes mais ínfimos que tornam a sair sem ligação com o conjunto. Mais que o adulto, ela está sujeita à alternativa de perceber, seja globalmente, seja por detalhes. A percepção infantil é pois, ao mesmo tempo, global e fragmentária (o que não é contraditório), enquanto que a do adulto é articulada (MERLEAU-PONTY, 1990, p. 196-7).

Para a criança, tudo está ali, naquele universo instigante e que precisa ser tocado, sentido, saboreado para então, através de experiências sensoriais, ser marcado involuntariamente pela narrativa icônica. Ali, o desenho passa de simples representação, para o espetáculo tendo por função tocar aquele que o percebe como tal.

A perspectiva planimétrica pode ser comparada a um método, onde é utilizada como meio para receber um produto final. Assim ao procurar fazer relações do desenho da criança com objetos significantes o adulto não percebe a narrativa infantil que ali está impressa, marcada e acaba por resumir a desatenção! Merleau-Ponty (2002, p.185) diz que a perspectiva planimétrica imobiliza a perspectiva vivida, adota, para representar o percebido, um índice de deformação característico do ponto onde estou, mas justamente por este artifício, constrói uma imagem que é imediatamente traduzível na ótica de qualquer outro ponto de vista, e que neste sentido é a imagem do mundo em si, de um geometral de todas as perspectivas.

Ao contrário, no momento em que a criança é livremente permitida de marcar no papel suas narrativas, expressando sua imaginação, enriquecida de experiências com instrumentos gráficos (lápis, giz de cera, canetas), suportes diversificados, espaço adequado e tempo disponível, dará forma, vida, sonho, desejo, expressão ao seu desenho. Assim, no ato do desenhar estará marcando sua história, imprimindo seu mundo perceptivo e a maneira de concebê-lo. Desta maneira, a criança expressa suas percepções com tanta intensidade que corpo e mente se misturam, assim como a mão e o suporte se entrelaçam, e o desejo pela expressão é ai demonstrado, através do sonhar acordado, do encanto... como a mais sublime marca no papel. Se a criança necessitasse de complemento para o sistematizar suas percepções. Ao contrário, seu pensamento está ali, através do olhar curioso que busca respostas a questionamentos resultantes do que percebe deste mundo e ainda não consegue exprimir, não por falha e sim vivenciar menos experiências que o adulto tornando-se não figura incompleta mas um Ser lacunar.

Nesse sentido detenho a reflexão a partir do pensamento de Gaston Bachelard ao trazer o devaneio operante em seu estado mais simples mais puro - pertencente a anima-. O filósofo em seus estudos sobre os devaneios voltados para a infância destaca lembranças de sua infância. Nas palavras de Bachelard (2006, p.20) as “lembranças da infância feliz são ditas com uma sinceridade de poeta. Ininterruptamente a imaginação reanima a memória, ilustra a memória”. Aqui vale pensar o devaneio da criança em relação ao ato de interrogar e mostrar-se diante do mundo através do desenho. Quando está desenhando a mão se encarrega de trazer para o real o corpo em seu estado mais sublime, afirmando nesse sentido: seu estado de linguagem! É através do devaneio operante, aqui vinculado a ação poética5 que a criança tem experiência estética transformadora e re-criadora de outras possibilidades de estabelecer relação com o vivido. Bachelard (2006, p.94) diz que,“desde que se torne dona dos seus devaneios, a criança conhece a ventura dos poetas” por ter a possibilidade de poetizar o vivido, miniaturizando o mundo sobre a superfície do papel, traz para si um mundo condensado e rico pelo processo de devaneio que se instala no ato do desenho Desse modo convém destacar com Sandra Richter (2005, p.199) sua reflexão sobre a miniaturização, todas as coisas pequenas exigem vagar do olhar a paciência do toque transformador da mão. Miniaturizar o mundo é trazer inteiro pelo olhar para dominá-lo com a mão artesã: basta o gesto que desenha, ou pinta ou modela para fazer um mundo reduzido tornar-se imagem do mundo, microcosmo que se pode envolver e trazer pelo olhar a grandeza do conjunto: em um estante tudo está ali. Toda a variação, toda hierarquia, todo problema menor desaparece.


Nesse sentido a criança embevecida pelo devaneio poético instaura um mundo miniaturizado. É diante dessa ação que ela traz o macro para a proximidade de seu corpo. O que há ai é uma mistura onde corpo e mundo, traduzida pelo entrelaçamento entre o devaneio poético e o processo de miniaturizar o vivido. Nas palavras de Merleau-Ponty (1999, p.121), “ a imaginação é imagem encarnada que encarna o mundo, fenda no corpo em sua abertura mundana onde as coisas passam por dentro de nós, assim como nós por dentro das coisas”. Diante disso o desenho pode ser considerado como testemunho, porque estabelece relação de abertura para o mundo mostrando uma experiência estética diante do vivido.

3. O ato de desenhar como um ritual de iniciação

O estudo aponta para a relevância de pensar a relação entre criança e desenho como ação narrativa estabelecida pela mistura entre corpo operante e devaneio poético. Ao lançar o olhar fenomenológico para o ato do desenho no intuito de compreender a complexidade que se engendra diante da determinada ação poética, pode-se perceber que a mão em contato com a dureza do pensamento possibilita ao corpo experiências traduzidas pela multiplicidade de movimentos. Ora suaves, como uma bailarina, ora abruptos, fortes para dar conta dos humores corporais. As linhas vão se encontrando harmonicamente estabelecendo relação, na tentativa de buscar alcançar o macro através da miniaturização.

Diante dessa busca o que se estabelece é uma narrativa traduzida pela mistura entre o devaneio e ação corpórea que enquanto pensamento em ato estabelece uma relação de testemunho com o mundo. Aqui o desenho não é ato discursivo! Para longe está de ser mera representação do real. Ao contrário, enquanto processo, é um convite para viajar pelas intensas linhas que são sustentadas pelo limite do suporte, dando abertura para o devaneio poético. Nesse sentido Merleau-Ponty (1984, p. 88) faz referencia ao modo como o “corpo é simultaneamente vidente e visível. Ele, que olha todas as coisas, também pode olhar-se e reconhecer naquilo que então vê o “outro lado” de sua potência vidente. Ele se vê, vendo, ele se toca tocando, é visível e sensível para si mesmo”.

É na potencia vidente do corpo que se estabelece à ação performativa da linguagem, no ato do desenho a criança mistura traços transfigurando o suporte. Na ludicidade do ato de traçar, ela faz ser o que não é, e, no entanto, compreende o que não está ali. Na ação poética de trazer a imediaticidade mundana para o suporte, ela prova o mundo das solidões primeiras6 saído de si para voltar transformada sob prática do devaneio poético. Nesse instante o corpo é tecido mundano por tirar do mundo significações, recriá-lo tornando seu. Merleau-Ponty (1984,p.12) ao falar em corpo e mundo afirma que há relação estesiológica, “há a carne do corpo e a do mundo; há em cada um deles uma interioridade que se propaga para outro numa reversibilidade permanente. O mundo está todo dentro e eu estou todo fora”. E diante dessa mistura o que há é a possibilidade de andar por solos ainda mais distantes...E a relação entre criança e desenho não será mais como mera informação, ela prestará um testemunho para aquele que o percebe como tal! Neste momento passa a perpetuar através dos atos de: misturar, pintar e produzir narrativas suas interrogações do mundo vivido. Merleau-Ponty (1984,p.12) diz que, é esse logos do mundo estético que torna possível a intersubjetividade como intercorporeidade, e que, através da manifestação corporal na linguagem, permite o surgimento de um logos cultural, isto é, do mundo humano da cultura e da história.

Assim sendo o desenho dá a possibilidade de construir narrativas que se entrelaçam entre o real e o ficcional, para dar sentido aquilo que ainda não tinha: dar vida a uma árvore que até então estava na montanha, dar som ao latido de um cachorro, que apenas se ouvia do quintal. É nessa poetização do mundo que se estabelece uma narratividade onde a verdade - em um sentido ambíguo - passa dar sustentabilidade ao ato de desenhar devaneando. Para Bachelard (2006, p.94) “há devaneios tão profundos que nos ajudam a descer tão profundamente em nós mesmos que nos desembaraçam da nossa história. Libertam-nos do nosso nome”. E a mão nesse sentido contribui por libertar o pensamento fazendo-o alçar vôo para figurar uma realidade ainda não existente. Nesse sentido o devaneio poético é a própria ação lúdica de do corpo estar em linguagem. Esse processo possibilita outros modos de pensar o mundo e o desenho diante dessa perspectiva passa ser matriz de idéias, pois sua ação possibilita complexificação de sentidos. Através do poder do corpo de “distanciar-se”, como bem diz o pensamento merleau-pontyano7 (1999), é que evoca um “sonhar acordado” no qual resulta num distanciamento sob o mesmo espaço temporal. Nas palavras de Richter (2005, p.195), a distância das coisas em relação a nós é simultaneamente nossa distância em relação a elas. A “distância não é sentida, é antes o sentir que revela a distância” (idem). Nas palavras de Blanchot (2001, p.69), “ver no sonho, é estar fascinado e o fascínio produz-se quando, longe de apreender a distância, somos possuídos pela distância, investidos por ela”. Talvez, apenas a imaginação possa atualizar tal virtualidade. Nesse instante a mão encantada pela mistura entre as cores da tinta e a aspereza da esponja, liberta o pensamento para viajar mais longe, diante dos olhos atentos, à mão nos conduz para o distanciamento. Diante disso é válido retomar á reflexão a partir da ação da mão no ato do desenho, ela permite uma relação com o suporte que libera e conduz o pensamento a agir sobre o inesperado para Henri Focillon (2001, p.111) é a mão pela “acção que define o côncavo do espaço e o convexo das coisas que o ocupam. Superfície, volume, densidade e peso não são fenômenos ópticos; foi pelos dedos e na palma da mão que o Homem primeiro os conheceu” Dessa maneira, a criança vai dando sentido e orientação para a sua ação, pois, o corpo todo está envolvido pelo ritmo que emerge pela mão, seduzida pelo ato de plasmar as coisas, ela as recria para si. Teixeira Coelho (2000, p.188) ao falar sobre figura afirma que, é aquilo que, além de deixar ver alguma coisa, não precisa ser vista para conseguir veicular algo que o espectador pode ver. Há transporte de uma dimensão para outra [material, imaterial; visível, invisível]. Como numa tela de Francis Bacon, vejo o que está ali e vejo o que não é visível e no entanto está ali. Ao brincar e poetizar o mundo, através das artes plásticas, ou seja, modelando, pintando, manchando, a criança convida seu corpo a viver uma metáfora viva. Nesse caso a mão cumpre papel fundamental nesse fazer poético. Henri Focillon (2001, p.108) afirma que “a mão é acção, agarra, cria e, por vezes, dir-se-ia mesmo que pensa.”E, em seu poder de trazer para o visível o que, até então, está no intangível esse órgão tão fabuloso toma posse do mundo através das percepções táteis.
 
Sendo assim, considero a posse do mundo pelo poder de prefigurá-lo, antes através de experiências olfato-táteis, logo após transfigurado pelo ato de marcar na superfície um excesso de sentidos constituindo-se em narrativas icônicas. Nesse instante, o desenho passa da perspectiva de um olhar que o reduz ao produto final para habitar o mundo fenomenológico das visões primeiras, que tocam e indagam, fazendo perceber a intensidade que se instala através do ato de plasmar o mundo em traços e superfícies. O desenho e a criança traçam uma relação poética, pois ambos se modificam a cada encontro: sendo sempre uma primeira vez diante do eterno ritual de iniciação.
 
 
1 Graduada em Pedagogia Anos Iniciais pela UNISC. Mestranda e bolsista CAPES do Programa de Pós-Graduação em Educação da UNISC. Integrante do Grupo de Pesquisa Linguagens, Cultura e Educação da UNISC-CNPq. E-mail s.michele62@yahoo.com.br.
 
2 Para Merleau-Ponty (1991, p.81), o insubstituível na obra de arte, “o que a torna muito mais do que um meio de prazer (...) é ela conter, mais do que idéias, matrizes de idéias, é nos fornecer emblemas cujo sentido nunca terminamos de desenvolver, é, justamente porque se instala e nos instala num mundo cuja chave não temos, ensinar-nos a ver e finalmente fazer-nos pensar como nenhuma obra analítica consegue fazê-lo, porque a análise encontra no objeto apenas o que nele pusemos. (...) uma linguagem conquistadora, que nos introduza em perspectivas alheias, em vez de nos confirmar nas nossas”.
 
3 No prefácio da Fenomenologia da Percepção (1999, p.10-11), Merleau-Ponty afirma que “o maior ensinamento da redução é a impossibilidade de uma redução completa” para destacar o mal-entendido de Husserl com seus intérpretes. A melhor fórmula da redução, para Merleau-Ponty, é aquela do assistente de Husserl, Eugen Fink, quando falava de uma “admiração” diante do mundo.
 
4 Obra interrompida pela morte súbita em 1961, aos 53 anos, que o colheu à mesa de trabalho em plena atividade intelectual.
 
5 O termo ação poética está sento utilizado com base em estudos através do filósofo francês Paul Valéry (1999), ao utilizar a acepção grega do verbo poïen (ação de fazer algo, criar, fabricar, transformar) para afirmar que arte, e aqui refiro-me ao desenho, não é discurso mas ato, exigindo “considerar com mais complacência, e até com maior paixão, a ação que faz do que a coisa feita”.
 
6 No pensamento fenomenológico de Gaston Bachelard (2006 p.14) a solidão tem relação com o devaneio cósmico. Para o filósofo é um fenômeno da solidão, um fenômeno que tem uma raiz na alma do sonhador. Não necessita de um deserto para estabelecer-se e crescer. Basta um pretexto – não uma causa- para que nos ponhamos em situação de solidão sonhadora. Nessa solidão as próprias recordações se estabelecem como quadros. Os cenários dominam o drama.
 
7 Merleau-Ponty (1999, p.343- 360) aborda a percepção do espaço como experiência que “se dá como distância que se abre diante de nós” através da profundidade. Ao tomar a profundidade como paradigma mesmo em que “se constitui o espaço”- e não como coordenada espacial- ele afirma que o espaço é distante, é profundo e por isso permanece inacessível ( por excesso ou falta) quando está sempre aí, ao redor e diante de nós. A profundidade expõe imediatamente nosso elo com o espaço: ela “nasce sob meu olhar porque ele procura ver alguma coisa” (idem,p. 354).
 
 
 
Referência

BACHELARD, Gaston. A poética do devaneio. São Paulo: Martins Fontes, 2006.

FOCILLON, Henri. A vida das formas. Seguido de Elogio da mão. Tradução Ruy Oliveira . Lisboa: Edições 70, 2001.

LAROSSA, Jorge. Notas sobre a experiência e o saber de experiência. Revista Brasileira de Educação, n° 19, p. 20-28, jan/fev/mar/abr 2002.

MERLEAU-PONTY, Maurice: Fenomenologia da percepção. Tradução Alberto Ribeiro de Moura. São Paulo: Martins Fontes, 1999.

___ . O olho e o espírito. Textos escolhidos / Merleau-Ponty. Seleção de Marilena de Souza Chauí e Tradução de Nelson Alfredo Aguillar-2a edição- São Paulo: Abril Cultural, 1984. p. 85 – 111. (Os pensadores)

___. Signos. São Paulo: Martins Fontes, 1991.

___. O visível e o invisível. São Paulo: Perspectiva, 1999.

___. A prosa do mundo. São Paulo: Cosac&Naify, 2002.

RICHTER, Sandra R. S. A dimensão ficcional da arte na educação da infância. Faculdade de Educação, Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, 2005. Tese de Doutoramento.

TEIXEIRA COELHO. Guerras culturais: arte e política no novecentos tardio. São Paulo: Iluminuras, 2000.

VALÉRY, P. Primeira aula do curso de poética. In: Variedades. São Paulo: Iluminuras, 1999, p. 179-192.

Leitura que vem do berço


Nestes tempos de tecnologia é ótimo navegar e pesquisar o que há de bom para nós da Educação... um site interessante com postagens significativas, é o da Dra Stella Bortoni - UNB (Universidade de Brasília). No site há este texto que  e ela permitiu que fosse reproduzido, este e outros. É muito bom quando encontramos pessoas que compartilham o saber.
Que você tenha uma ótima leitura...

agosto 22, 2010

Especialistas dizem que ler para filhos a partir dos 6 meses melhora a cognição

Ler ou não ler para o bebê, eis uma questão que David Dickinson, doutor em educação pela Universidade de Harvard, e Perri Klass, pediatra, escritora e professora de pediatria e jornalismo da Universidade de Nova York, garantem saber responder. Sim, deve se ler e muito, a partir dos 6 meses de vida, mas sem deixar os olhinhos do neném arregalados com a maluquice de Hamlet ou as desgraças de Rei Lear. A recomendação dos superespecialistas é incluir, em meio à troca de fraldas, mamadeiras, passeios e choros, o folhear diário das páginas de um livro apropriado para aquela faixa etária, cheio de cores e figuras (hoje não faltam opções nas prateleiras). Para eles, esta é a melhor forma de desenvolver a inteligência da criança e a sua linguagem oral e escrita, preparandoa para a alfabetização e aprimorando sua capacidade de aprender.
Que fique claro: a ideia não é transformar o bebê num minigênio. Os especialistas, que apresentaram pesquisas científicas na Bienal de São Paulo na semana passada provando como a leitura interfere no desenvolvimento cognitivo da criança, querem prazer e interação ao som da narrativa dos pais. Os benefícios desse ritual são insubstituíveis.
Não adianta só conversar com a criança ou passear descrevendo as paisagens nem inventar aventuras. Tem que ler, mostrar formas e cores e fazer perguntas ao bebê o tempo todo, estimulando sua participação.
Dickinson e Perri vieram para cá a convite da ONG Instituto Alfa e Beto (IAB), em São Paulo, e abraçaram a iniciativa da criação de uma biblioteca para bebês e o lançamento de uma cartilha com dicas das técnicas de leitura mais adequadas para cada fase. O objetivo é tornar os livros mais acessíveis também às classes sociais mais baixas, porque Oliveira acredita que o ciclo vicioso da pobreza também passa pelo ciclo vicioso da transmissão da linguagem. O IAB criou ainda um catálogo com 600 títulos (sim, 600, uma média de dois por semana, dos 6 meses aos 6 anos, cerca de cem por cada faixa etária) para serem lidos antes do ingresso ao ensino fundamental. O objetivo não é listar os melhores livros, mas, sim, dar uma ideia para os pais dos tipos de publicação adequados para a idade de seus filhos.

— O texto escrito possui uma variedade de vocabulário e uma complexidade sintática que não é encontrada na linguagem oral, nem mesmo na fala informal de adultos com curso superior — explica o fundador do IAB, João Batista Oliveira, psicólogo com PhD em Educação. — Todos os estudos longitudinais mostram que expor a criança desde cedo aos livros contribui para o desenvolvimento da linguagem e, consequentemente, para o seu sucesso escolar. A formação do hábito de leitura também é importante para que a criança se torne um ávido leitor, outro fator fortemente associado ao sucesso escolar.

Mas, para tranquilizar quem perdeu o primeiro bonde, Oliveira garante que nunca é tarde para começar. Só ressalta que, quanto antes o hábito fizer parte do dia a dia da criança, melhor: — Além de desenvolver diversas competências ligadas à alfabetização e à linguagem, a leitura também fortalece o vínculo das crianças com os pais: eles gostam de ler com os pais porque gostam dos pais. Mas a leitura deve ser participativa. Um dos aspectos mais importantes é envolver a criança, desde cedo, no processo de escolha de livros. Pergunte sempre o que a criança prefere, deixe que ela manifeste seus interesses ou crie novos. A escolha leva ao compromisso — garante o fundador do IAB.
Pelas pesquisas americanas apresentadas, das 12.500 crianças que fizeram teste de vocabulário aos 5 anos, as de famílias mais pobres tinham quase um ano de atraso; as que já tinham hábito da leitura em família aos 3 anos aumentaram o vocabulário em pelo menos dois meses; e visitas mensais à biblioteca aumentaram o vocabulário de todas elas em 2,5 meses.
Essa riqueza no repertório vai se refletir no desempenho escolar e no comportamento social. “Crianças que se atrasam nas séries iniciais correm o risco de permanecer atrasadas ao longo do processo escolar”, definiu Perri em sua apresentação.
Além disso, para a pediatra, “ler para os filhos desde cedo ajuda a criança a ver os livros como fonte de prazer e de informação”.
O neurofisiologista Mario Fiorani, do laboratório de Fisiologia da Cognição do Instituto de Biofísica Carlos Chagas Filho da UFRJ, com pós-doutorado no Instituto Nacional de Saúde Mental, do Instituto Nacional de Saúde dos EUA, não é, de forma alguma, contra o incentivo à leitura. Mas acredita que não é só a educação formal que molda as pessoas.

— Só as habilidades linguísticas não bastam, mas a leitura pode ampliar horizontes de forma inimaginável.

Isso depende, porém, de senso crítico, que pode ser inato (natural do indivíduo) ou aprendido informalmente no convívio familiar. Caso contrário, a leitura pode produzir um leitor ‘compulsivo’, sem grandes ganhos.
Sobre o desenvolvimento da cognição, Fiorani diz que a leitura amplia o horizonte no campo da linguagem.

— Mas os aspectos cognitivos dependem de muitos outros fatores, tanto inatos quanto adquiridos. A leitura é um bom estímulo cognitivo para melhorar o conhecimento do mundo que nos cerca. Estimula a imaginação e o leitor pode parar para pensar no que está lendo quando quiser, o que permite uma melhor elaboração do conteúdo — afirma.

— Mas as pessoas podem desenvolver o hábito de leitura e aprimorá-lo em qualquer idade. O estímulo precoce só vai tornar tudo mais fácil. A leitura não é um fim, mas sim um meio.

O conhecimento é uma meta.

Fonte: Jornal O Globo, Saúde

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