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quinta-feira, 25 de novembro de 2010

EXPERIÊNCIA DE LEITURA DO FOTOJORNALISMO NO ENSINO FUNDAMENTAL

Imagem do site: http://www.nfactos.pt/imprensa.php 

Evelise da Costa Neves - Professora do Colégio Adventista do Porto, licenciada em Língua Portuguesa e Especialista em Docência no Ensino Superior pela Universidade Federal de Mato Grosso – UFMT. E-mail: profeveliseabreu@hotmail.com

RESUMO
Este artigo reporta a experiência de leitura de imagens do fotojornalismo por alunos de 8ª série do Ensino Fundamental. Com instrumentos de análise de recepção baseados na retórica estruturalista, procura-se observar quais as características da leitura efetuada pelos alunos de um conjunto de fotos publicadas em jornais impressos e na internet. Os resultados apontam para uma leitura problemática, porém profícua e passível de ser tomada como base para o desenvolvimento de uma sistemática de enfrentamento de imagens informativas em sala de aula.
Palavras-chave: leitura, imagem, fotojornalismo, recepção.

A fotografia jornalística assume papel relevante na mídia eletrônica contemporânea. Ela é um dos principais elementos para a composição de jornais impressos - cada vez mais atraentes para fazer frente a meios como a televisão e as revistas.
Ganhando espaço e convivendo com textos escritos mais e mais sintéticos, o fotojornalismo secundariza sua função de mera ilustração e passa a guardar volume de informação crescente. Não raramente, jornais reduzem ou dispensam textos escritos para se valer apenas de fotografias e legendas. Mesmo a relação entre a fotografia e o texto escrito, como a própria legenda, pode gerar significações segundas. Muitas vezes, a foto pode informar mais do que a legenda ou mesmo compor esta um quadro irônico, de síntese, de antítese, de comparação, entre outros.
Um dos principais requisitos para a consolidação de uma publicação informativa nos dias de hoje é a idéia da pretensa ‘neutralidade’. Assim, o comprometimento gerado por uma opinião expressa pela palavra escrita, que afasta leitores e pode ocasionar, por exemplo, ações judiciais (por grupos que se sentem lesados) contra os jornais, dilui-se sensivelmente quando uma opinião determinada aparece na fotografia, um poderoso e ainda ‘inimputável’ instrumento de propagação de opiniões e valores.
Há mais um elemento que beneficia o fotojornalismo, sobretudo em relação a meios com imagens em movimento, como a televisão. Embora pareça paradoxal, é difícil a um informativo de televisão dispor de imagens suficientemente representativas acerca dos eventos que noticia. A fluidez das imagens na TV dificulta aquilo que o bom fotógrafo tem como principal arma: a capacidade de gerar imagens efetivamente representativas e com múltiplas significações. Muitas vezes o gesto de um político, captado pelo fotógrafo, simplesmente desaparece na seqüência de imagens da mesma entrevista, quando gravada para a TV.
É possível destacar ainda uma série de diferenças entre as imagens em movimento e os flagrantes de fotografia. Entretanto, as considerações postas dão idéia da importância da imagem impressa.
A foto jornalística tende a assumir outras funções, para além de sua característica primordial, que é informar o leitor, se possível de maneira atraente. Segundo Barthes (1984), é possível observar na fotografia recursos retóricos bem próximos daqueles presentes na palavra escrita. As características metafórica e metonímica, por exemplo, são evidentes no fotojornalismo, bem como nas imagens em movimento. Partindo dessa premissa, isto é, da idéia de que o processo de figuração utilizada na linguagem escrita é também observado nas imagens, procuramos elencar algumas funções recorrentes no fotojornalismo, definidas a partir da instância da produção ou da intenção do jornalista ao selecioná-la. Algumas delas ocorrem no que Barthes chama de plano denotativo ou informativo, são as funções de entretenimento, descritiva e narrativa.
É também fundamental lembrar que, por lidarmos com a leitura da fotografia a partir da instância da sua produção, há uma série de outros fenômenos que precisam ser delineados, sobretudo aqueles envolvidos com a trucagem hoje facilitada pela tecnologia digital.
Para o presente trabalho, é importante notar a diversidade de caminhos que podem ser dados de uma fotografia jornalística. Entretanto, e sobretudo lembrando que estaríamos lidando com alunos ainda em formação e certamente com pouco acesso a jornais escritos, procuramos também delinear, de maneira geral, a recepção dos estudantes em relação à função primeira do fotojornalismo, isto é, informar.
Para tanto, adaptamos a proposta de Marcuschi (1996), sobre os chamados ‘horizontes de compreensão’. Embora feita para se verificar a compreensão do texto escrito, sua proposta adapta-se com justeza para a leitura de imagens, sobretudo no nosso caso, pois o que buscamos nada mais foi do que converter as imagens em linguagem verbal pelos alunos. Sucintamente, o quadro proposto por Marcuschi é o seguinte:
Falta de horizonte: observa-se quando repetimos ou copiamos o que está dito no texto (no nosso caso, na imagem). Não haveria pesquisa por parte do aluno, de modo que ele é capaz de reproduzir apenas o que a cena reportada tem de mais familiar.
Horizonte mínimo: trata-se da leitura parafrástica, em que existe investigação, mas a constatação apenas de elementos da superfície da imagem. Aquelas funções que abordamos antes, para além da informação da foto, não seriam observadas pelo aluno.
Horizonte máximo: quando o aluno gradativamente vai intensificando seu olhar e suas descobertas em relação à fotografia, observando-se inclusive elementos inferenciais, ele rumaria para o entendimento mais complexo da imagem.
Horizonte problemático: ocorre quando o entendimento do aluno supõe considerações idiossincráticas, que podem fugir dos limites do texto ou imagem em questão.
Horizonte indevido: quando o aluno mostra sinais claros de que está lendo erradamente até mesmo a superfície do texto ou imagem.
A turma escolhida para o trabalho apresentava problemas medianos de rendimento, mas postava-se como de relativa facilidade para o trabalho coletivo e individual. Embora houvesse reticência por parte de alguns alunos em certos momentos, participaram de cada exercício 21 estudantes.
No primeiro semestre, as atividades se mostraram convidativas, havendo grande adesão mesmo em exercícios complexos. Viam-nas com entusiasmo e interesse, posto que os assuntos abordados lhes eram atraentes, como comportamento e esportes.
Quando o trabalho começou a se tornar específico (estudo da recepção de imagens fotojornalísticas), houve relutância em continuar: o grupo questionou a validade da atividade, posto que ela não parecia fazer sentido maior do que o lúdico. Bastou a menção acerca da importância das imagens no mundo contemporâneo e também algumas características de leitura verificadas na própria turma para reacender o entusiasmo.
Realizamos um primeiro conjunto de atividades exploratórias, para a verificação de como os alunos liam textos jornalísticos. Foram aplicados três conjuntos de exercícios, tomando como base notícias que tinham fotos como complementos. As questões de entendimento que estavam na superfície dos textos eram mais facilmente dominadas.
Aquelas que de algum modo se amparavam na imagem ou mesmo na informação prévia do aluno também tinham maior possibilidade de compreensão. Já questões inferenciais, envolvendo elementos do texto escrito e mesmo elementos das fotografias, ofereceram dificuldades. Foi aí que decidimos por explorar o entendimento do fotojornalismo.
Realizamos outras sete baterias de exercícios, para a observação de fotos publicadas em jornais e na Internet. De maneira geral, foram escolhidas para o trabalho imagens acompanhadas apenas de uma legenda explicativa. Mesmo quando tais imagens somavam-se a textos escritos em seus suportes originais, elas apresentavam certa ‘autonomia’ de sentido, algo que, de certo modo, tornava dispensável a matéria escrita para a compreensão.
 Cada imagem foi reproduzida para todos os participantes. Juntamente com a cópia, havia um questionário acerca da foto. Acompanharam todas as fotos os respectivos créditos (autor, data, publicação).
Sempre com respostas ‘abertas’, as questões foram tabuladas por similaridade. Os questionários seguiram roteiro comum em termos de complexidade. Perguntas sobre elementos isolados foram seguidas por questões que observaram tais elementos em relação e, mais adiante, por indagações inferenciais.
A maioria das questões versava sobre elementos presentes nas imagens. Para isso, até certa altura do questionamento aos alunos, as legendas eram omitidas. As respostas dos alunos, dadas por escrito, eram recolhidas para posterior tabulação.
A questão da autoria é frágil. Boa parte dos alunos consegue identificar o autor e a origem do material apresentado. Entretanto, parte não consegue discriminar a informação dentro do bloco de identificação (que inclui data, jornal e página). Há alunos que chegam a errar no nome do jornal. Outros confundem personagens das fotos com os seus respectivos autores.
Um dos fatores que contribuem para a precária situação de identificação é o fato de os alunos não terem tido contato com o suporte original: seu contato se deu com a foto em suporte modificado, dificultando a apreciação.
Embora não tenham sido questionados sobre isso, em nenhum momento os alunos manifestaram interesse ou mencionaram curiosidade pelos suportes originais das fotografias. Tal aspecto faz lembrar o quanto estão acostumados com a cultura do excerto promovida pela escola: incapaz de lidar com originais (por diversas razões), a escola é obrigada a trabalhar com a fração, com o exemplo, com o trecho. Assim, ao se defrontarem com imagens de jornal, os alunos pouco viram ali de novidade que os motivasse, a saber, a sua procedência.
Afinal, outras tantas imagens foram postas diante deles e, quando muito, vieram acompanhadas apenas de uma referência do lugar de origem. Em termos metodológicos, uma alternativa é o recorte da foto (pois dificilmente todos os alunos terão acesso simultâneo a um mesmo original de jornal impresso), mas, além da sua identificação, uma transparência ou o próprio jornal apontando para a mesma foto em seu lugar de publicação original.

Leitura da informação das imagens
Muito em função da seleção (que se destacava por imagens com poucos e evidentes traços), os alunos reconhecem de maneira geral a ação principal. No entanto, o apoio na legenda em muitos casos é fundamental para estreitar o olhar do aluno. Em vários momentos, observou-se que o entendimento se limitou ao proposto na legenda. Quando a legenda foi omitida, à exceção dos casos em que a ação se mostrou mais bem delineada, as leituras se diversificaram, chegando ao erro.
A maioria dos estudantes lê partindo de um quadro constituído nos limites ‘horizontais’ da fotografia. Esse quadro, por sua vez, é composto geralmente pelos elementos centrais, que se ligam em uma narrativa.
Em muitos casos, além de não frisarem a presença de elementos secundários, não há o exercício de ligação mais intenso entre os indícios da foto para a busca de um conjunto mais amplo.
Em termos de recepção, pode-se dizer que boa parte dos alunos está num estágio intermediário entre o horizonte mínimo e o horizonte parafrástico de leitura, embora a sua percepção das demais funções nas fotos nos levem a destacar outras características de leitura.

Leitura secundária das imagens
De maneira geral, e, sobretudo, quando podem amparar-se na legenda, os alunos acabam por destacar as predominâncias das fotos. Aquelas com teor mais descritivo e narrativo são melhor identificadas.
Quando esse exercício exige maior abstração, no entanto, as leituras tendem à dispersão e não raramente ao equívoco. A observação tende a restringir-se a componentes descritivos, de certa forma vistos em continuidade para dar idéia de narrativa. Algumas características dessa leitura secundária podem ser sistematizadas.
Tendência narrativa: embora à medida que a foto reporte experiência próxima da vivência dos alunos eles tendam a ‘narrá-la’ de maneira mais consistente, a experiência narrativa é lacunar e diversas vezes amparada em juízos pré-concebidos. As personagens ganham vida com base na experiência dos alunos e não das referências da fotografia.
É comum notar que os elementos destacados da fotografia servem para a construção de uma narrativa que, não raramente, se mistura com a narrativa das próprias vidas dos alunos e não do contexto do fato reportado.
Discurso edificante: sempre presente na escola, esse tipo de discurso evita conflitos e não raramente mostra o mundo com menos arestas – ou sem arestas – do que o cotidiano apresenta.
Em todos os casos, a intenção simbólica de denúncia é percebida como uma mensagem comovente, acirrando maniqueísmos como o bom e o mau, o certo e o errado e assim por diante.
Leitura de superfície: os alunos tendem a ler a superfície das fotos, observando principalmente elementos centrais. Dados secundários ou passíveis de inferência costumam ser deixados de lado. Os elementos mais evidentes e próximos do cotidiano ou do conhecimento dos alunos são prontamente identificados.
A legenda, quando vai mais adiante do que está posto na foto, também tende a complicar a leitura dos alunos.
Apego à concretude dos elementos: talvez a própria dificuldade de ler um suporte com códigos não tão próximos façam o aluno tomar como referência apenas os objetos mais visíveis das cenas reportadas. Em diversas falas, a resposta para o que o aluno estava vendo na fotografia era simplesmente a descrição linear daquilo que ali estava posto.
Em suma, em termos de leitura secundária, há um grande número de casos em que os alunos mostrariam um domínio pontual sobre as imagens: conseguem apreender componentes evidentes da fotografia, deixando de lado elementos ou associações interiores à imagem. Nesse plano, não há interrogações à situação reportada. Um segundo grande grupo teria um domínio intermediário sobre as imagens: teriam apreendido os componentes internos à fotografia de maneira mais orgânica, o que permitiu dar uma noção um pouco mais concreta, com menor margem de equívoco, e inclusive continuidade às cenas reportadas. Neste plano, o aluno foi capaz de fazer inferências, estas, porém, ainda baseadas quase que exclusivamente em elementos presentes na imagem. Finalmente, poucos alunos mostraram domínio abrangente, percebendo nas imagens sentidos sociais para além de maniqueísmos. Em termos de compreensão, a observação de elementos secundários permite confirmar a impressão de que os alunos estariam situados no chamado horizonte mínimo.

Considerações finais
Tal como havíamos suposto inicialmente, a leitura dos alunos mostrou-se frágil em termos históricos: há deficiências na leitura da informação e mais ainda na leitura secundária. Isso, no entanto, não tornou a experiência menos profícua. A heterogeneidade de leituras acabou por nos fazer concentrar mais esforços naquelas mais precárias e se, de certa forma, acabamos por deixar diluir ou de incentivar leituras mais elaboradas, também esboçamos subsídios para os passos iniciais para o trabalho com o fotojornalismo.
O olhar pouco sistemático dos alunos para a observação das imagens é um dado recorrente. Ele é suficiente para mostrar a necessidade de interferência do professor quanto à identificação dos elementos presentes na fotografia, ainda antes de aprofundar a leitura da foto, para fazê-los ver aquilo que está mais visível nas imagens.
Um dos complicadores é o que podemos chamar de certo descompromentimento por parte dos estudantes: aqueles materiais não são feitos para eles, não fazem parte da sua realidade.
Daí sua leitura beirar histórias pessoais ou mesmo equívocos graves de entendimento. Logicamente, esse descomprometimento (ainda que tenham levado a sério a tarefa de ler as fotos!) também se deve à fugacidade dos meios que utilizamos e da própria imprensa, que desobriga o sujeito ao compromisso histórico.
Mas, de todo modo, fica evidenciada uma preocupação capital para o trabalho com o fotojornalismo e com os meios de comunicação de maneira geral: o investimento no ensino de História. Para entender as mensagens de imprensa, talvez antes de expedientes técnicos da comunicação seja fundamental conhecer a História.
O processo de ‘familiarização’ a que o aluno submete as imagens poderia ser explicado por uma obviedade: o aluno lê de acordo com o seu horizonte de expectativas. No entanto, isso pouco ajuda a entender como se dá o processo de leitura dos leitores iniciantes.           
As considerações aqui elencadas devem contribuir para mostrar que a leitura de imagens e, sobretudo, a leitura do fotojornalismo, necessita de trabalho didático-pedagógico apropriado. Talvez não se deva pensar no requinte de uma ‘alfabetização visual’ ou na elaboração de aparato pedagógico específico para lidar com tais questões (como propõe, por exemplo, a Educomunicação), visto que os alunos leem de maneira ‘escolarizada’, isto é, por meio de procedimentos comuns à escola (como a tendência narrativa): um professor dotado de informação e instrumentação é capaz de fazer compreender imagens. No entanto, algum investimento curricular e político deverá ser feito, primeiramente, para fazer entender a avalanche de imagens hoje utilizadas à farta, mesmo por livros didáticos. Assim, será possível cobrar dos alunos esse tipo de leitura!

Referências bibliográficas
ANDRADE, Rosane de. Fotografia e antropologia: olhares fora - dentro. São Paulo: Estação Liberdade; EDUC, 2002
BRUNET, Karla Schuch. Foto Jornalística: Um instrumento ideológico. Santa Maria: Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras “Imaculada Conceição”, 1994.
BARTHES, R. O óbvio e o obtuso. Lisboa: Edições 70, 1984.
MARCUSCHI, L. A. Em Aberto, Brasília, ano 16, n. 69, jan./mar. 1996.
   

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Nova escrita... Velhos problemas


Michelle Bento

A cada ano, milhares de universitários brasileiros criam a expectativa de conseguir um estágio na área profissional que escolheram, e assim, se inserirem no mercado de trabalho e ganharem experiência prática daquilo que aprendem nas instituições de ensino superior. Eles se dedicam para tirar boas notas, se empenham para identificar o segmento no qual o seu perfil se encaixa melhor e, finalmente, iniciam a procura por uma oportunidade. Porém, muitos encontram, durante este processo, um obstáculo que, em tese, não deveriam ter: a Língua Portuguesa. Um levantamento feito pelo Centro de Integração Empresa-Escola do Rio de Janeiro (CIEE/Rio), a partir de provas de seleção para estágios, traz um retrato nada animador. Dos candidatos que participam de processos seletivos para estágio, cerca de 25% são eliminados na prova de Português, composta por questões de gramática e de uma Redação.

Com isto, nem sequer chegam a participar de entrevistas com o departamento de Relações Humanas das empresas, onde podem mostrar as competências comportamentais e a qualidade da formação técnica que têm.

De acordo com o presidente do CIEE/Rio e membro da Academia Brasileira de Letras (ABI), professor Arnaldo Niskier, a dificuldade destes jovens no uso da escrita decorre da falta do hábito da leitura durante a fase de formação.

"Prevejo um futuro ainda mais tenebroso com a inovação do livro digital, pois este será um privilégio para poucos e que poderá trazer prejuízos brutais à educação dos jovens universitários. Não podemos abandonar a mídia impressa sem ganhar a mídia eletrônica, porque ainda não se tem massa critica para dizer que isso será melhor para formação do jovem", explica.

Outro aspecto identificado em textos produzidos por universitários é a utilização frequente de termos típicos da linguagem da internet, mesmo quando a situação exige um tratamento mais formal do vocabulário e da construção de frases. O educador esclarece que o 'internetês', como este fenômeno é chamado, é resultado de um apelo dos estudantes para o conteúdo da internet, no lugar de outras fontes, como bibliotecas. "A falta de convívio com a norma culta da Língua Portuguesa é um fenômeno claro de deseducação. O universo virtual não é a oitava maravilha do mundo e não tem o papel de resolver todos os males", diz Niskier, ressaltando que uma das causas pode ser o hábito de muitos estudantes de copiar trabalhos originais da rede. "Esta é uma atitude nada criativa e desonesta, que muitas vezes, é pouco repreendida pelas universidades. A consequência disso, é que o indivíduo se forma despreparado e não consegue uma boa colocação no mercado."

Para especialista, estudantes não valorizam o bom uso do idioma - Apesar da deficiência, a Língua Portuguesa ainda não é disciplina obrigatória em todas as universidades do Brasil, o que segundo o presidente, dá margem a erros graves por profissionais que têm o Português como ferramenta principal de trabalho. "Temos que defender a ideia da Unesco de incluir uma formação continuada para que, até os que se formaram, voltem aos bancos universitários e tenham chance de aprender o que significa a língua para a cultura", declara Niskier. Para o especialista em Língua Portuguesa, Sérgio Nogueira, esta dificuldade do estudante está diretamente associada à deficiência que ele tem de visualizar as necessidades que ele terá na vida profissional, o que acaba por impedi-lo de valorizar e dar maior atenção a habilidades que ele com certeza irá precisar, como a escrita e a leitura.

"Da mesma forma que o cidadão aprende quando se deve usar terno e gravada e quando lhe é apropriado usar bermuda e chinelo de dedo, ele deveria aprender quando é que não pode usar gíria, quando não pode usar internetês e quando é que deve usar uma linguagem formal. Mas eu vejo tanto a escola como a universidade falhando ao passar isso ao aluno. Muitas vezes, é na vida profissional que as pessoas acabam tendo de aprender isto", atenta.

E para quem pensa que ter um Português em ordem é importante somente para profissionais das áreas de Educação ou Comunicação, o educador revela que a realidade atual é mais exigente do que se imagina. Em todas as profissões, é preciso escrever bem. Não só pela necessidade de fazer relatórios, mas, sobretudo, porque a comunicação escrita é cada vez mais comum nos ambientes e trabalho. "Aqueles problemas que o funcionário podia resolver por telefone, agora são solucionados por e-mail. E, para isso, é necessário saber escrever de forma clara para o entendimento daquele que vai receber. A escrita vai ser usada para o resto da vida deste profissional e, se ele vai escrever em papel ou pela internet, isso não muda nada", frisa Sérgio.

Redação é a parte mais problemática - Com 46 anos de existência, o CIEE/Rio busca intermediar o acesso dos universitários ao mercado de trabalho, por meio da oferta de treinamento e da seleção de estudantes para ingressarem em empresas, e assim, terem uma visão prática da profissão. Nos últimos anos, porém, o centro tem constatado desempenho ruim destes alunos com a Língua Portuguesa.

Os dados registrados no último ano, em dois processos seletivos realizados para duas grandes companhias, confirmam esta queda de rendimento dos universitários. Para uma das empresas, foram convocados 809 candidatos para a seleção, sendo que 37% (309 inscritos) foram reprovados. Na seleção para outra empresa, os resultados foram ainda piores. Dos 324 que participaram da seleção, e 181 foram eliminados (55,5% do total). Com base em um balanço feito pelo supervisor de processos especiais do CIEE/Rio, Luiz Marinho, o maior problema dos universitários é a estruturação da Redação. Segundo ele, observa-se que o candidato possui informação, que é atualizado acerca dos acontecimentos e que tem contato com algum tipo de leitura. Porém, falta o domínio dos recursos essenciais no desenvolvimento de um texto. "O que mais aparece é redação com muita informação, mas que não é trabalhada devidamente. Então, eles dão pinceladas de informação e não conseguem desenvolver o conteúdo. Para quem lê, é difícil ter uma leitura linear, um entendimento do que o universitário quer dizer."

Erros mais comuns são de concordância e ortografia - Para Luiz Marinho, a origem desta deficiência está, sobretudo, no consumo de leitura pela internet. Segundo ele, tal hábito faz com que o estudante assimile este modo de escrita rápido e pouco embasado, e que acabe aplicando a prática às suas produções. "No mundo virtual, as informações que aparecem são curtas, não há um aprofundamento do conteúdo. Este tipo de leitura acaba viciando o jovem para que ele não consiga se desenvolver e elaborar um texto de um modo mais formal, como é exigido no ambiente de trabalho. Percebemos que isso acaba influenciando também a comunicação por e-mail, através do qual ele não consegue se expressar e fazer com que outra pessoa entenda uma solicitação que é feita", diz. Os erros cometidos são os mais variados. Porém, os constatados pelo CIEE/Rio com maior frequência são os de concordância verbal e ortografia, além da dificuldade de desenvolver o tema em um formato mais tradicional e compreensível para o leitor. "É importante saber registrar a ideia e reler a redação pelo menos umas duas vezes para ver se aquilo saiu da forma como planejou", orienta Marinho. Na opinião do superintendente do CIEE/Rio, Paulo Pimenta, esta dificuldade do jovem não é de hoje, mas da falta de incentivo à leitura ao longo dos anos. "O problema destes universitários é a ausência do hábito da leitura que ocorre desde a pré-escola. É preciso que haja uma sequência, não basta que o aluno seja apenas aprovado. É necessária uma verificação mais eficiente se esse aluno realmente aprendeu", fala.

Segundo Pimenta, atualmente do total de estagiários encaminhados pelo CIEE/Rio, 74% conseguem ser efetivado pelas empresas. Porém, a cobrança no mundo corporativo tem crescido. "As empresas estão cada vez mais exigentes. Elas estão dimensionadas a atender um determinado mercado, que cobra mais.

Por isso, o profissional de hoje, precisa ser o profissional do agora e do amanhã", frisa. Mais que encaminhar os estudantes ao meio empresarial, o Centro de Integração também se preocupa em desenvolver aqueles que ainda têm as suas habilidades limitadas, instruindo-os e capacitando-os por meio de cursos e treinamentos. "O foco do CIEE/Rio é não só fazer a inserção do jovem no mercado de estágio, mas também de desenvolvê-lo. Quando não aprovamos alguém em um processo seletivo, percebemos a deficiência e fazemos algo para que esse jovem, quando chamado pela segunda ou terceira vez, não passe pela mesma situação", completa.

* Folha Dirigida* 17 ago. 2010.

Colaboração: Site Stella Bortoni

Gente... que texto maravilhoso para nossa reflexão... nossas formações precisam urgentemente romper a linha das disciplinas e contextualizar de forma transdisciplinar a nossa lingua que percorre tudo o tempo todo. Saber escrever, saber se expressar, saber se fazer entender são processos fundamentais na vida de qualquer um de nós, ainda mais nós EDUCADORES...
O que você achou deste texto... que tal começar sua reflexão por aqui... Passe pelo site da Stella Bortoni, você encontrará muito material para melhorar sua formação e consequentemente sua prática.
Comente!!!

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Dica para aprimorar a escrita da nossa Língua Portuguesa



Oi Pessoal!

A Gláucia - Coordenadora Pedagógica de Campo da AMS enviou por e-mail uma grande dica para todos nós que precisamos escrever muito.
Foi lançado um site, intitulado UM PORTUGUÊS www.umportugues.com    com o intuito de nos ajudar neste período de transição entre a antiga e a nova ortografia.
O site possui um verificador de ortografia. Você copia ou digita o texto que deseja analisar e ele, além de corrigir as palavras que estão escritas de modo incorreto, também explica o porquê dos erros.
Esta iniciativa é muito útil e muitíssimo interessante.
Vamos aproveitar???
Divulgue!!!

Muitooooo Obrigadooooooooo Gláucia!

Abraços e até mais!

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Leitura... Revista Gestão - Nova Escola

Cada dia me convenço mais de que não é possível dissociar desenvolvimento educacional de leitura... E você, o que acha???
A Revista Gestão - NOVA ESCOLA acaba de chegar nas bancas, com enfoque pontual na formação de toda equipe administrativa e pedagógica através da leitura... leitura para quem administra, leitura para quem auxilia, leitura para quem aprende, leitura para quem ensina; a leitura compartilha toda uma educacão acumulada por vários e vários anos.
As edições anteriores da Revista Gestão já contemplava muito a formação continuada para o grupo pedagógico, agora o objetivo permeia toda a equipe, não apenas a pedagógica... a repercussão? Certamente será alunos que serão bons leitores, cidadãos mais críticos e reflexivos, sem falar na grandeza profissionais muito mais qualificados, preparados...
Precisamos ampliar nossas Bibliotecas para abrir espaço para a equipe e alunos, e ao mesmo tempo incentivar a leitura para toda nossa comunidade... leitura por prazer, leitura para estudar, leitura para  compreender... LEITURA...
Leitura como hábito deve ser nossa meta... assim como o ar... não ficar sem ela... até mesmo para nossa vida espiritual, sem o hábito da leitura da Bíblia, como vamos nos fortalecer? Vamos ler???
Acesse o link e descubra quantas coisas maravilhosas estão disponíveis online para todos nós...
Clique Aqui!
Seja você um administrador, professor, funcionário, aluno... não importa... a leitura é para todos nós!!!
Que tal criar grupos de leitura?
Estes grupos podem ser os mais variados... tipo:
1. Grupos de Leitura Literária
2. Grupos de Leitura de Poesias
3. Grupos de Leitura de Histórias Infantis
4. Grupos de Leitura ... que você quiser... que você se identificar... se criarem estes grupos é só nos informar que divulgaremos aqui, ok?

Poste seu comentário... vai ser muito bom saber sua opinião e ideias.

Até a próxima!!!

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Leitura com Prazer


Ler... o que encontramos à nossa volta? O que encontramos no olhar? O que encontramos nos gestos? O que encontramos nas palavras? O que encontramos nos textos? Na matemática? No Português? Na História? Nos conhecimentos humanos?
Tudo, tudo depende da leitura... leitura para conhecer, leitura para esperar, leitura para agir, leitura para falar, leitura para amar, leitura para entender, leitura para aprender, leitura para trabalhar, leitura para ensinar...
Então, nada melhor que um bom livro, uma boa história para despertar o querer ler... que será a base para todas as demais leituras.
Para esse início de conversa, veja esta imagem abaixo,... ela nos envolve? o que ela nos transmite? Veja a posição corporal... a atenção da leitora ao seu livro... o que preenche seus pensamentos? O que eu sinto quando a observo?

No http://entremulhereseletras.wordpress.com/2010/07/15/porque-ler-e-bom-demais/ há esta bela imagem e definições sobre livro e leitura na visão de grandes escritores:

” Os livros são os mais silenciosos e constantes amigos; os mais acessíveis e sábios conselheiros; e os mais pacientes professores” (Charles Elliot)

” O livro é uma das possibilidades de felicidade de que dispomos” (Jorge Luiz Borges)

” O livro é um mudo que fala, um surdo que responde, um cego que guia, um morto que vive” (Padre Antônio Vieira)

” Quem não vê bem uma palavra, não pode ver bem uma alma” (Fernando Pessoa)

” É ainda possível chorar sobre as páginas de um livro, mas não se pode derramar lágrimas sobre um disco rígido” (José Saramago)

” Sempre imaginei o paraíso como uma grande biblioteca” (Jorge Luiz Borges)

” Se tens um jardim e uma biblioteca, tens tudo” (Marco Túlio Cícero)

“A leitura de um bom livro é um diálogo incessante: O livro fala e a alma responde” (Andre Mauróis)

” Dupla delícia: o livro traz a vantagem da gente estar só e ao mesmo tempo acompanhado” (Mario Quintana)

“Ler é comer e beber. O espírito que não lê emagrece como um corpo que não come” (Victor Hugo)

” Uma boa leitura dispensa, com vantagem, a companhia de pessoas frivolas” (Marques de Marica)

” Feliz daquele que transfere o que sabe e aprende o que ensina” (Cora Coralina)

” A Leitura é uma fonte inesgotável de prazer mas, por incrível que pareça, a quase totalidade das pessoas não sente esta sede” (Carlos Drummond de Andrade)

” Que nunca o livro fique longe da tua mão e dos teus olhos” (Sao Jerônimo)

Não é de se inspirar a ler com tantos bons pensamentos?
Na Revista Nova Escola - Edição Especial - Vol. 5, você encontrará uma seleção de histórias para ler... gostar de ler, para crianças e adolescentes... no link deste parágrafo... são mais de 150 textos... tudo ali, facinho para acessar e usar!
A Revista está muito boa mesmo, e além dos textos, há a parte de apresentação da Revista e um artigo ao fim da mesma, com João Luís Ceccantini, que também online no link de seu nome você encontra outras contribuições.
Para quase encerrar nosso papo de hoje, vamos ao "Ritual de Leitura" mencionado na página de apresentação da Edição Especial", próprio para os alunos menores, entretanto com dicas que também servem aos maiores... mesmo porque a gente lê em todas as disciplinas, não é mesmo?

Ritual de Leitura
Ler com as crianças (alunos) exige organização.
Veja como preparar os pequenos para esse momento especial:
1. Treine a leitura, capriche na entonação e interprete a narrativa.
2. Estabeleça um horário fixo e diário para a roda de leitura.
3. Crie um cantinho aconchegante: vale colocar almofadas, apagar algumas luzes para ler à meia luz ou acomodar as crianças sobre um tapete à sombra de uma árvore.
4. Mostre as ilustrações do livro enquanto faz a leitura.
5. Antecipe mistérios da história para facilitar o entendimento.

Ler contagia... o seu brilho no olhar ao contar uma história induz à leitura, o prazer com que se expressa ao falar de um livro empolga os que te rodeiam...

Seja um leitor para que seus alunos também sejam!!!


Até a próxima!!!

quinta-feira, 29 de julho de 2010

SABE O QUE É UM PALÍNDROMO? SABE O QUE É TAUTOLOGIA?


SABE O QUE É UM PALÍNDROMO?


NÃO?!

Um palíndromo é uma palavra ou um número que se lê da mesma maneira nos dois sentidos, normalmente, da esquerda para a direita e ao contrário.
Exemplos: OVO, OSSO, RADAR. O mesmo se aplica às frases, embora a coincidência seja tanto mais difícil de conseguir quanto maior a frase; é o caso do conhecido:
SOCORRAM-ME, SUBI NO ONIBUS EM MARROCOS.
Diante do interesse pelo assunto (confesse, já leu a frase ao contrário), tomei a liberdade de seleccionar alguns dos melhores palíndromos da língua de Camões...
ANOTARAM A DATA DA MARATONA
ASSIM A AIA IA A MISSA
A DIVA EM ARGEL ALEGRA-ME A VIDA
A DROGA DA GORDA
A MALA NADA NA LAMA
A TORRE DA DERROTA
LUZA ROCELINA, A NAMORADA DO MANUEL, LEU NA MODA DA ROMANA: ANIL É COR AZUL
O CÉU SUECO
O GALO AMA O LAGO
O LOBO AMA O BOLO
O ROMANO ACATA AMORES A DAMAS AMADAS E ROMA ATACA O NAMORO
RIR, O BREVE VERBO RIR
A CARA RAJADA DA JARARACA
SAIRAM O TIO E OITO MARIAS
ZÉ DE LIMA RUA LAURA MIL E DEZ

E já agora...

SABE O QUE É TAUTOLOGIA?

É o termo usado para definir um dos vícios, e erros, mais comuns de linguagem. Consiste na repetição de uma idéia, de maneira viciada, com palavras diferentes, mas com o mesmo sentido.
O exemplo clássico é o famoso 'subir para cima' ou o 'descer para baixo'. Mas há outros, como pode ver na lista a seguir:
- elo de ligação
- acabamento final
- certeza absoluta
- quantia exacta
- nos dias 8, 9 e 10, inclusive
- juntamente com
- expressamente proibido
- em duas metades iguais
- sintomas indicativos
- há anos atrás
- vereador da cidade
- outra alternativa
- detalhes minuciosos
- a razão é porque
- anexo junto à carta
- de sua livre escolha
- superávit positivo
- todos foram unânimes
- conviver junto
- fato real
- encarar de frente
- multidão de pessoas
- amanhecer o dia
- criação nova
- retornar de novo
- empréstimo temporário
- surpresa inesperada
- escolha opcional
- planejar antecipadamente
- abertura inaugural
- continua a permanecer
- a última versão definitiva
- possivelmente poderá ocorrer
- comparecer em pessoa
- gritar bem alto
- propriedade característica
- demasiadamente excessivo
- a seu critério pessoal
- exceder em muito .

Note que todas essas repetições são dispensáveis.
Por exemplo, 'surpresa inesperada'. Existe alguma surpresa esperada? É óbvio que não.
Devemos evitar o uso das repetições desnecessárias. Fique atento às expressões que utiliza no seu dia-a-dia.
Gostou?
Reenvie para os amigos amantes da língua portuguesa.
E, assim, fala-se em bom português
Prof.. Pasquale Neto

No popular se diz:
'Esse menino não pára quieto, parece que tem bicho carpinteiro'
Correto:
'Esse menino não pára quieto, parece que tem bicho no corpo inteiro'
VOCÊ SABIA ?
Batatinha quando nasce, esparrama pelo chão.'
Enquanto o correto é:
'Batatinha quando nasce, espalha a rama pelo chão.'
'Cor de burro quando foge.'
O correto é:
'Corro de burro quando foge!'
Outro que no popular todo mundo erra:
'Quem tem boca vai a Roma.'
O correto é:
'Quem tem boca vaia Roma.' (isso mesmo, do verbo vaiar).
Outro que todo mundo diz errado,
'Cuspido e escarrado' - quando alguém quer dizer que é muito parecido com outra pessoa.
O correto é:
'Esculpido em Carrara ..'
( Carrara é um tipo de mármore)
Mais um famoso... 'Quem não tem cão, caça com gato.'
O correto é:
'Quem não tem cão, caça como gato... ou seja, sozinho!'

Colaboração: Evelise Abreu - Professora de Língua Portuguesa - CANPA
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