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quinta-feira, 25 de março de 2010

Educação inclusiva: Uma questão de conscientização e formação


Cleide Fraga - Atualmente é Coordenadora Pedagógica da Rede Adventista para o Estado o Mato Grosso

Do que se tem comentado sobre o tema Educação Inclusiva em palestras e encontros educacionais, grande parte é sobre a legislação, o espaço físico, a ética e até mesmo sobre a nova tecnologia assistiva, pouco porém, tem se discutido sobre a formação do professor na ótica da educação inclusiva.
Como Orientadora Educacional, tenho a cada ano letivo enfrentado desafios com a chegada de novos alunos com necessidades educativas especiais. Tais alunos chegam à sala de aula e pegam-nos desprevenidos, pois temos que saber o que, como e quando ensinar sobre os conteúdos curriculares a estes alunos. Outro dia, entrevistei uma família que ao preencher a ficha do SOE, enfatizou o motivo pelo qual escolheu a nossa educação: “É uma escola cristã que certamente estará comprometida com os valores e com a aprendizagem do meu filho, ele é autista, mas sei que vocês vão fazer o melhor por ele”. Educadora a mais de 25 anos, senti naquele momento dois sentimentos paradoxais: A satisfação em merecer o voto de confiança daquela família, mas a frustração em não saber sobre a metodologia a ser trabalhada com a complexa necessidade educativa de um autista. Pedi a Deus então, sabedoria e reunindo com a professora da turma e a equipe pedagógica, propusemo-nos a pesquisar toda e qualquer informação disponível em sites, livros e filmes, para na medida do possível, incluir este aluno que estaria conosco não só para ser um aluno a mais, mas para dentro de seus limites: aprender.
Temos, portanto muito a questionar, dialogar e pontuar sobre a educação inclusiva em nossa Instituição Educacional, já que se trata de uma abordagem abrangente, pois além das condições orgânicas, psicossociais, culturais, éticas ou econômicas, tem seus objetivos centrados na integração e interação do aluno neste micro sociedade que é a escola. Sabemos, no entanto que não podemos nos abster somente a parte social, temos que ir ao foco máximo da educação: A aprendizagem. Sendo assim, analisemos Hoffmann (2001, p.35) quando diz: “Sem dúvida, um sério compromisso irá mobilizar a escola brasileira deste século: formar e qualificar profissionais conscientes de sua responsabilidade ética frente à inclusão. Não é suficiente oferecer-se escola para todos, é essencial que o “todos” não perca a dimensão da individualidade, e que, uma vez na escola, esta ofereça a cada criança e jovem a oportunidade máxima possível de alcançar sua cidadania plena pelo respeito e pela aprendizagem”.
A escola de qualidade é aquela que ensina com qualidade e que não exclui. Sendo assim, a formação do professor deve estar inserida na conscientização de que todos os seus aprendizes são aprendizes porque possuem de uma ou outra forma, a capacidade de aprender, indiferente da proporção em que ocorra este processo. Acreditamos não ser esta, uma tarefa fácil, mas imprescindível. Para tanto, a proposta deste artigo é o de provocar nos educadores o senso de busca para espaços de formação continuada e consequentemente o desvencilhar do individualismo ou da falta de coragem em dizer: “não sei como lidar com este ou aquele aluno, preciso de ajuda!”
Apesar de sabermos que a lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional é garantida no Brasil, sabemos que a filosofia de educação inclusiva não está sendo efetivada como deveria em suas ações, nem para brasileiros, nem para os comprometidos com a educação cristã. Torna-se, portanto, emergencial o despertar para a nossa realidade nesse campo complexo e ainda deficitário. É preciso que se estabeleçam novos olhares compromissados para com esses alunos inseridos em nosso contexto educacional, e na medida do possível promover condições para que esse aluno possa obter meios de aprender do seu jeito e no seu tempo.
Seria excelente se as escolas contassem com materiais adequados e especialistas para as diferentes necessidades educacionais, mas já vimos que na realidade atual seria utópico conceber a escola por si só, tamanha responsabilidade. Entretanto, eficazes meios podem ser utilizados como: A integração com a família do educando e a informação e conscientização desta sobre as dificuldades nas condições pedagógicas e estruturais da escola, através de documentações plausíveis logo no ato da matrícula e quando necessário, subsequentemente, o encaminhamento do aluno a especialistas em seguimentos na área da saúde governamental ou particular que fornecerá algum tipo de assessoramento para a escola que por sua vez, fará através de sistematizados registros de acompanhamento pedagógico, um trabalho qualitativo que poderá ser apresentado para o professor da série seguinte, bem como para toda comunidade educativa que interdisciplinarmente prosseguirá com o devido acompanhamento.
Portanto, necessitamos elaborar através de pesquisas e grupos de estudos em formações continuadas, práticas de ensino adequadas ás diferenças, mesmo que tenhamos que reestruturar nossos projetos políticos pedagógicos e superar paradigmas ao priorizar a missão cristã e ética do nosso fazer pedagógico. Afinal, não seria esse um grande passo para mostrar ao mundo que acreditamos em uma educação igualitária, rumo a excelência que tanto sonhamos?

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
HOFFMANN, JUSSARA. Avaliar para promover. 11ed. Porto Alegre: Edit Mediação, 2009.
EDLER, CARVALHO, ROSITA. Educação inclusiva: com os pingos nos “is”. 6ª ed. Porto Alegre: Edit Mediação, 2004.

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

Repetência e Alfabetização


JOÃO BATISTA ARAUJO E OLIVEIRAÉ IMPRESSIONANTE o avanço do Brasil na correção do fluxo escolar. Há pouco mais de dez anos, tínhamos uma pirâmide: os alunos da primeira série eram quase o dobro do universo da quarta. Hoje, a pirâmide virou um pilar -são aproximadamente 3,8 milhões de alunos em cada um dos anos iniciais. Mas o pilar é mais grosso do que deveria -cerca de 500 mil a mais em cada série- e permanecem fortes os indicadores de distorção. O primeiro deles é a quantidade de crianças acima da faixa etária: nas cinco séries iniciais, há 3,2 milhões de alunos com mais de 11 anos. Ou seja, as vagas disponíveis são suficientes para seis séries escolares. Isso representa um desperdício anual de quase R$ 4 bilhões por ano. O segundo problema é o elevado índice de repetência -quase 15% ao ano. Somada à evasão, a perda anual é próxima de 18% ao ano, o que acrescenta desperdício adicional de outros R$ 4 bilhões/ano. Resumindo, vão para o ralo anualmente quase R$ 8 bilhões, e a maior parte desse prejuízo se deve ao elevado nível de reprovação e suas sequelas. Em 2009, o Ministério da Educação (MEC) iniciou um programa para incentivar as redes municipais do ensino a corrigir o fluxo escolar. Na sua primeira fase, o programa concentra-se nos 1,3 mil municípios de menor Ideb (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica) -a maioria deles com notas inferiores a 160 pontos na Prova Brasil. Como executor de parte desse programa, o Instituto Alfa e Beto aplicou um teste para avaliar o nível de escrita dos alunos do segundo ao quinto ano de 350 desses municípios, em 25 Estados da Federação. Foram avaliados 338 mil alunos, mais de 70% do total da matrícula dessas séries. O teste consistiu de ditado de palavras, ditado de frases, frase escrita a partir de um estímulo e uma redação simples. Os resultados foram robustos -e aterrorizantes. Do total de alunos avaliados, 70% foram considerados analfabetos, independentemente da série. O grau de analfabetismo cai de 86% no segundo ano para, respectivamente, 75%, 61% e 50% até o quinto ano. Nas classes multisseriadas, 75% dos alunos são analfabetos. Esses dados confirmam o que já sabemos da Prova Brasil: um resultado de 150 pontos em língua portuguesa, no quinto ano, o que significa que pelo menos metade dos alunos dessa série são analfabetos. A média nacional, que é de 172 pontos, sugere que, no Brasil como um todo, 20% dos alunos do quinto ano mal conseguem fazer um ditado e raramente são capazes de escrever uma frase diante de um estímulo, como um desenho. Os resultados comprovam a ineficácia da pedagogia da repetência e as virtudes limitadas da promoção automática. Se o aluno é reprovado, fica atrasado e não melhora muito sua capacidade de ler e escrever: quanto mais atrasada a série, menos crianças conseguem ler. Se o aluno é aprovado sem saber ler, metade deles consegue melhorar um pouco e aproximadamente 10% serão alfabetizados a cada ano adicional. Ou seja: é patente que repetir o ano pura e simplesmente não melhora e traz outros prejuízos. Ser aprovado traz menos prejuízos e melhora a condição de alguns alunos. A evidência disponível, confirmada pelos resultados aqui apresentados, sugere que a correção do fluxo escolar necessita a adoção simultânea de três medidas: 1) alfabetizar as crianças no primeiro ano; 2) acelerar os alunos defasados, e o primeiro passo é alfabetizar a maioria deles; e 3) erradicar a pedagogia da repetência, sem cair na saída fácil da promoção automática. Dessas três medidas, a mais importante e urgente consiste em alfabetizar os alunos no primeiro ano que chegam à escola. A mais duradoura é erradicar a pedagogia da repetência e instaurar em seu lugar uma pedagogia de ensino eficaz. Isso requer uma revolução. Acelerar alunos defasados sem implementar outras medidas fará sentido na medida em que servir para alavancar e provocar as outras mudanças. Programas e projetos que privilegiam a aceleração de alunos defasados podem ter o mérito de atender, de maneira diferenciada, aos alunos que ficaram para trás. Possivelmente, irão contribuir para melhorar a vida dessas crianças e, de maneira mais modesta, reduzir a defasagem. Porém, sem as medidas complementares, não vão funcionar. Apenas enxugamos o chão, mas deixamos a torneira aberta. JOÃO BATISTA ARAUJO E OLIVEIRA, 63, psicólogo, doutor em educação, é presidente do Instituto Alfa e Beto. Foi secretário-executivo do Ministério da Educação (1995).

terça-feira, 29 de dezembro de 2009

Brasil avança em educação financeira e escolas terão tema em 2010


Por InfoMoney

Atulizado: 28/12/2009 19:31
SÃO PAULO – O Brasil avança rapidamente na estratégia de educação financeira e, já em 2010, o tema estará nas escolas, com um projeto piloto a ser aplicado em cerca de 300 instituições públicas.
A Estratégia Nacional de Educação Financeira é uma iniciativa das entidades e dos órgãos integrantes do Coremec (Comitê de Regulação e Fiscalização dos Mercados Financeiros, de Capitais, de Seguros, de Previdência e Capitalização), que se juntaram em novembro de 2007 para discutir a questão.
“No mundo, desde 2005, os países adotaram a estratégia de conteúdo financeiro de forma integrada. Estamos seguindo esta tendência mundial e fazendo um programa rápido. O que estamos fazendo é colocar lado a lado as autoridades com a educação formal”, afirmou o superintendente de Proteção e Orientação a Investidores da CVM (Comissão de Valores Mobiliários), José Alexandre Vasco.
De acordo com ele, a estratégia nacional tem o objetivo de dar elementos para que os cidadãos tomem decisões conscientes de consumo, fomentar a cultura da educação financeira e, dessa forma, contribuir para a estabilização e a solidez do sistema financeiro.
Nas salas de aulaUm projeto piloto de educação financeira nas escolas terá início no próximo ano, quando 300 escolas públicas do Distrito Federal, Rio de Janeiro, São Paulo e Tocantins contarão com o conteúdo, com ajuda do Instituto Unibanco. Ainda no próximo ano, Vasco estima o alcance de 1 mil a 1,5 mil escolas.
O material a ser aplicado nas escolas será público, já que será um livro gratuito de versão eletrônica. O foco inicial do conteúdo será no indivíduo, em seus sonhos e planejamento de vida, para chamar a atenção dos alunos para a dimensão espacial: como seu padrão de consumo influencia sua família e sua nação.
Depois disso, o material avança para a dimensão temporal, abordando o passado, o presente e o futuro, ou como as decisões de hoje influenciam no amanhã, o que ressalta a importância do orçamento doméstico. Os próximos módulos serão focados no mercado financeiro e seus produtos. Existe ainda um incentivo à informação mais matematizada, em que se ensina o cálculo de juros compostos, por exemplo.
“A educação financeira não é só financeira, mas tem relação com outros temas, como meio ambiente, para o consumo consciente, e o empreendedorismo”, ressaltou Vasco, sobre outros assuntos que serão abordados.
Fora da gradeDe acordo com o superintendente, o material eletrônico pode ser usado por qualquer escola, sem que seja necessária a criação de uma disciplina para a educação financeira. Basta deixar claro que aquilo que será exposto no próximo ano é uma primeira versão, que deverá ser aprimorada.
O projeto ainda prevê a capacitação de professores, por meio do oferecimento de um material que contém informações para a aplicação do conteúdo disponível.
A Estratégia Nacional de Educação Financeira tem um site com mais informações sobre suas ações (www.vidaedinheiro.gov.br).

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

MEC elabora projeto de lei para determinar idade mínima para entrada de crianças na escola


Amanda Cieglinski - 10/12/2009

Repórter da Agência Brasil


Brasília - O Ministério da Educação (MEC) quer enviar ao Congresso Nacional projeto de lei para determinar uma “idade de corte” para que as crianças entrem no ensino fundamental. A partir de 2010, termina o prazo de transição para que todas as redes de ensino implementem o ensino fundamental de 9 anos, no qual as crianças ingressam aos 6 anos. Entretanto, há divergências entre os estados e municípios sobre o caso de crianças de 5 anos que completam 6 durante o ano letivo.
Para evitar a confusão, o projeto que está sendo elaborado pelo MEC quer estabelecer que só podem ser matriculadas no ensino fundamental crianças que completem 6 anos até 31 de março. A informação foi dada hoje (8) pela secretária de Educação Básica do MEC, Maria do Pilar Lacerda, durante reunião no Conselho Nacional de Educação. Segundo ela, é importante estabelecer uma data porque cada estado começa o ano letivo em datas diferentes. A decisão valeria também para a rede particular.
Precisamos organizar o sistema, preservando o direito da criança. Há diferença de maturidade entre os 5 e 6 anos. Na Prova Brasil, a gente vê isso: crianças de 8 anos, independente de onde vieram, sempre se saem melhor do que as de 7 anos, mesmo os dois grupos tendo dois anos de escolaridade. O processo de alfabetização precoce muitas vezes tem impacto negativo”, defendeu.
A posição do CNE, em pareceres anteriores, é de que a criança precisa ter 6 anos completos até o início do ano letivo. Essas decisões, homologadas pelo MEC, serviam de orientação para as redes. O presidente da Câmara de Educação Básica do CNE, César Callegari, defendeu que as crianças que atualmente já estão matriculadas na pré-escola e só completam 6 anos no decorrer do ano letivo possam seguir para o ensino fundamental.
Acho importante que elas tenham seus grupos de referência mantidos, que possam ingressar no ensino fundamental junto com os colegas que já vão ter 6 anos”, pontuou Callegari.

Segundo Maria do Pilar, o novo projeto de lei está sendo discutido com o Conselho Nacional de Secretários de Educação (Consed), a União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação (Undime) e o Conselho Nacional de Trabalhadores em Educação (CNTE). Dezenove representantes de conselhos estaduais de educação, além de conselheiros municipais, estiveram na reunião do CNE. Alguns deles defenderam que a criança com 6 anos incompletos deveriam ter o direito à matrícula já que em muitos locais a pré-escola não é universalizada.

Quase 75% das crianças de 4 e 5 anos estão na educação infantil. Não é verdade que a maioria não tem direito a pré-escola. E se não esse direito temos que garanti-lo, há todos os incentivos do governo federal para que os estados e municípios consigam”, disse Maria do Pilar.

Para a presidente da União Nacional dos Conselhos Municipais de Educação (UNCME), Maria Ieda Nogueira, é importante que se determine uma idade de corte para que haja um alinhamento entre os sistemas”. Mas ela defende que essa medida deve vir acompanhada da universalização da educação infantil. Tem que haver articulação administrativa e pedagógica entre as duas etapas.”

A data de 31 de março também valeria para educação infantil. Proposta de Emenda Constitucional, aprovada em novembro, determina que a partir de 2016 a matrícula na pré-escola (dos 4 aos 5 anos) também seja obrigatória, assim como é hoje ensino fundamental. Se o projeto for aprovado, portanto, a matrícula na pré-escola valerá para crianças que completem 4 anos até 31 de março.

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Para Refletir: Içami Tiba


Palestra ministrada pelo médico psiquiatra Dr. Içami Tiba, em Curitiba, 23/07/08.


O palestrante é membro eleito do Board of Directors of the International Association of Group Psychotherapy. Conselheiro do Instituto Nacional de Capacitação e Educação para o Trabalho "Via de Acesso". Professor de cursos e workshops no Brasil e no Exterior. Em pesquisa realizada em março de 2004, pelo IBOPE, entre os psicólogos do Conselho Federal de Psicologia, os entrevistados colocaram o Dr. Içami Tiba como terceiro autor de referência e admiração - o primeiro nacional.


1º- lugar: Sigmund Freud;
2º- lugar: Gustav Jung;
3º- Lugar: Içami Tiba


1. A educação não pode ser delegada à escola. Aluno é transitório. Filho é para sempre.

2. O quarto não é lugar para fazer criança cumprir castigo. Não se pode castigar com internet, som, TV, etc. 3. Educar significa punir as condutas derivadas de um comportamento errôneo. Queimou índio pataxó, a pena (condenação judicial) deve ser passar o dia todo em hospital de queimados.

4. É preciso confrontar o que o filho conta com a verdade real. Se falar que professor o xingou, tem que ir até a escola e ouvir o outro lado, além das testemunhas.

5. Informação é diferente de conhecimento.. O ato de conhecer vem após o ato de ser informado de alguma coisa. Não são todos que conhecem. Conhecer camisinha e não usar significa que não se tem o conhecimento da prevenção que a camisinha proporciona.

6. A autoridade deve ser compartilhada entre os pais. Ambos devem mandar. Não podem sucumbir aos desejos da criança. Criança não quer comer? A mãe não pode alimentá-la. A criança deve aguardar até a próxima refeição que a família fará. A criança não pode alterar as regras da casa. A mãe NÃO PODE interferir nas regras ditadas pelo pai (e nas punições também) e vice-versa. Se o pai determinar que não haverá um passeio, a mãe não pode interferir. Tem que respeitar sob pena de criar um delinqüente.

7. Em casa que tem comida, criança não morre de fome . Se ela quiser comer, saberá a hora. E é o adulto quem tem que dizer QUAL É A HORA de se comer e o que comer.

8. A criança deve ser capaz de explicar aos pais a matéria que estudou e na qual será testada. Não pode simplesmente repetir, decorado. Tem que entender.

9. É preciso transmitir aos filhos a idéia de que temos de produzir o máximo que podemos. Isto porque na vida não podemos aceitar a média exigida pelo colégio: não podemos dar 70% de nós, ou seja, não podemos tirar 7,0.

10. As drogas e a gravidez indesejada estão em alta porque os adolescentes estão em busca de prazer. E o prazer é inconseqüente.

11. A gravidez é um sucesso biológico e um fracasso sob o ponto de vista sexual.

12. Maconha não produz efeito só quando é utilizada. Quem está são, mas é dependente, agride a mãe para poder sair de casa, para fazer uso da droga . A mãe deve, então, virar as costas e não aceitar as agressões. Não pode ficar discutindo e tentando dissuadi-lo da idéia. Tem que dizer que não conversará com ele e pronto. Deve 'abandoná-lo'.

13. A mãe é incompetente para 'abandonar' o filho. Se soubesse fazê-lo, o filho a respeitaria. Como sabe que a mãe está sempre ali, não a respeita.

14. Se o pai ficar nervoso porque o filho aprontou alguma coisa, não deve alterar a voz. Deve dizer que está nervoso e, por isso, não quer discussão até ficar calmo. A calmaria, deve o pai dizer, virá em 2, 3, 4 dias. Enquanto isso, o videogame, as saídas, a balada, ficarão suspensas, até ele se acalmar e aplicar o devido castigo.

15. Se o filho não aprendeu ganhando, tem que aprender perdendo.

16. Não pode prometer presente pelo sucesso que é sua obrigação. Tirar nota boa é obrigação. Não xingar avós é obrigação. Ser polido é obrigação. Passar no vestibular é obrigação. Se ganhou o carro após o vestibular, ele o perderá se for mal na faculdade.

17. Quem educa filho é pai e mãe. Avós não podem interferir na educação do neto, de maneira alguma. Jamais. Não é cabível palpite. Nunca.

18. Se a mãe engolir sapos do filho, ele pensará que a sociedade terá que engolir também.

19. Videogames são um perigo: os pais têm que explicar como é a realidade, mostrar que na vida real não existem 'vidas', e sim uma única vida. Não dá para morrer e reviver. Não dá para apostar tudo, apertar o botão e zerar a dívida.

20. Professor tem que ser líder. Inspirar liderança. Não pode apenas bater cartão.

21. Pais e mães não pode se valer do filho por uma inabilidade que eles tenham. 'Filho, digite isso aqui pra mim porque não sei lidar com o computador'. Pais têm que saber usar o Skype, pois no mundo em que a ligação é gratuita pelo Skype, é inconcebível pagarem para falar com o filho que mora longe.

22. O erro mais freqüente na educação do filho é colocá-lo no topo da casa. O filho não pode ser a razão de viver de um casal. O filho é um dos elementos. O casal tem que deixá-lo, no máximo, no mesmo nível que eles. A sociedade pagará o preço quando alguém é educado achando-se o centro do universo.

23. Filhos drogados são aqueles que sempre estiveram no topo da família.

24. Cair na conversa do filho é criar um marginal. Filho não pode dar palpite em coisa de adulto. Se ele quiser opinar sobre qual deve ser a geladeira, terá que mostrar qual é o consumo (kWh) da que ele indicar. Se quiser dizer como deve ser a nova casa, tem que dizer quanto isso (seus supostos luxos) incrementará o gasto final.

25. Dinheiro 'a rodo' para o filho é prejudicial. Mesmo que os pais o tenham, precisam controlar e ensinar a gastar.


Frase: "A mãe (ou o pai!) que leva o filho para a igreja, não vai buscá-lo na cadeia..."


Contribuição: Jerson Deconto - Coordenador Disciplinar do CASIP

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Descoberta de um Universo: A Evolução do Desenho Infantil



Autora: Thereza Bordoni
"Antes eu desenhava como Rafael, mas precisei de toda uma existência para aprender a desenhar como as crianças". (Picasso)



Os primeiros estudos sobre a produção gráfica das crianças datam do final do século passado e estão fundados nas concepções psicológicas e estéticas de então. É a psicologia genética, inspirada pelo evolucionismo e pelo princípio do paralelismo da filogênese com a ontogênese que impõe o estudo científico do desenvolvimento mental da criança (Rioux, 1951).As concepções de arte que permearam os primeiros estudos estavam calcadas em uma produção estética idealista e naturalista de representação da realidade. Sendo a habilidade técnica, portanto, uma fator prioritário. Foram poucos os pesquisadores que se ocuparam dos aspectos estéticos dos desenhos infantis.Luquet (1927 - França) fala dos 'erros' e 'imperfeições' do desenho da criança que atribui a 'inabilidade' e 'falta de atenção', além de afirmar que existe uma tendência natural e voluntária da criança para o realismo.Sully vê o desenho da criança como uma 'arte embrionária' onde não se deve entrever nenhum senso verdadeiramente artístico, porém, ele reconhece que a produção da criança contém um lado original e sugestivo. Sully afirma ainda que as crianças são mais simbolistas do que realistas em seus desenhos (Rioux, 1951).São os psicólogos portanto, que no final do século XIX descobrem a originalidade dos desenhos infantis e publicam as primeiras 'notas' e 'observações' sobre o assunto. De certa forma eles transpõem para o domínio do grafismo a descoberta fundamental de Jean Jacques Rousseau sobre a maneira própria de ver e de pensar da criança.As concepções relativas a infância modificaram-se progressivamente. A descoberta de leis próprias da psique infantil, a demonstração da originalidade de seu desenvolvimento, levaram a admitir a especificidade desse universo.
A maneira de encarar o desenho infantil evolui paralelamente.
Modo de expressão próprio da criança, o desenho constitui uma língua que possui vocabulário e sua sintaxe. Percebe-se que a criança faz uma relação próxima do desenho e a percepção pelo adulto. Ao prazer do gesto associa-se o prazer da inscrição, a satisfação de deixar a sua marca. Os primeiros rabiscos são quase sempre efetuados sobre livros e folhas aparentemente estimados pelo adulto, possessão simbólica do universo adulto tão estimado pela criança pequena.
Ao final do seu primeiro ano de vida, a criança já é capaz de manter ritmos regulares e produzir seus primeiros traços gráficos, fase conhecida como dos rabiscos ou garatujas ( termo utilizado por Viktor Lowenfeld para nomear os rabiscos produzidos pela criança).
O desenvolvimento progressivo do desenho implica mudanças significativas que, no início, dizem respeito à passagem dos rabiscos iniciais da garatuja para construções cada vez mais ordenadas, fazendo surgir os primeiros símbolos Essa passagem é possível graças às interações da criança com o ato de desenhar e com desenhos de outras pessoas. Na garatuja, a criança tem como hipótese que o desenho é simplesmente uma ação sobre uma superfície, e ela sente prazer ao constatar os efeitos visuais que essa ação produziu. No decorrer do tempo, as garatujas, que refletiam sobretudo o prolongamento de movimentos rítmicos de ir e vir, transformam-se em formas definidas que apresentam maior ordenação, e podem estar se referindo a objetos naturais, objetos imaginários ou mesmo a outros desenhos. Na evolução da garatuja para o desenho de formas mais estruturadas, a criança desenvolve a intenção de elaborar imagens no fazer artístico. Começando com símbolos muito simples, ela passa a articulá-los no espaço bidimensional do papel, na areia, na parede ou em qualquer outra superfície. Passa também a constatar a regularidade nos desenhos presentes no meio ambiente e nos trabalhos aos quais ela tem acesso, incorporando esse conhecimento em suas próprias produções. No início, a criança trabalha sobre a hipótese de que o desenho serve para imprimir tudo o que ela sabe sobre o mundo. No decorrer da simbolização, a criança incorpora progressivamente regularidades ou códigos de representação das imagens do entorno, passando a considerar a hipótese de que o desenho serve para imprimir o que se vê.
É assim que, por meio do desenho, a criança cria e recria individualmente formas expressivas, integrando percepção, imaginação, reflexão e sensibilidade, que podem então ser apropriadas pelas leituras simbólicas de outras crianças e adultos.
O desenho está também intimamente ligado com o desenvolvimento da escrita. Parte atraente do universo adulto, dotada de prestigio por ser "secreta", a escrita exerce uma verdadeira fascinação sobre a criança, e isso bem antes de ela própria poder traçar verdadeiros signos. Muito cedo ela tenta imitar a escrita dos adultos. Porém, mais tarde, quando ingressa na escola verifica-se uma diminuição da produção gráfica, já que a escrita ( considerada mais importante) passa a ser concorrente do desenho.
O desenho como possibilidade de brincar, o desenho como possibilidade de falar de registrar, marca o desenvolvimento da infância, porém em cada estágio, o desenho assume um caráter próprio. Estes estágios definem maneiras de desenhar que são bastante similares em todas as crianças, apesar das diferenças individuais de temperamento e sensibilidade. Esta maneira de desenhar própria de cada idade varia, inclusive, muito pouco de cultura para cultura.
Luquet Distingue Quatro Estágios:
1- Realismo fortuito: começa por volta dos 2 anos e põe fim ao período chamado rabisco. A criança que começou por traçar signos sem desejo de representação descobre por acaso uma analogia com um objeto e passa a nomear seu desenho.
2- Realismo fracassado: Geralmente entre 3 e 4 anos tendo descoberto a identidade forma-objeto, a criança procura reproduzir esta forma.
3- Realismo intelectual: estendendo-se dos 4 aos 10-12 anos, caracteriza-se pelo fato que a criança desenha do objeto não aquilo que vê, mas aquilo que sabe. Nesta fase ela mistura diversos pontos de vista ( perspectivas ).
4- Realismo visual: É geralmente por volta dos 12 anos, marcado pela descoberta da perspectiva e a submissa às suas leis, daí um empobrecimento, um enxugamento progressivo do grafismo que tende a se juntar as produções adultas.


Marthe Berson distingue três estágios do rabisco:
1 - Estágio vegetativo motor: por volta dos 18 meses, o traçado e mais ou menos arredondado, conexo ou alongado e o lápis não sai da folha formando turbilhões.
2 - Estágio representativo: entre dois e 3 anos, caracteriza-se pelo aparecimento de formas isoladas, a criança passa do traço continuo para o traço descontinuo, pode haver comentário verbal do desenho.
3 - Estágio comunicativo: começa entre 3 e 4 anos, se traduz por uma vontade de escrever e de comunicar-se com outros. Traçado em forma de dentes de serra, que procura reproduzir a escrita dos adultos.
Em Uma Análise Piagetiana, temos:
1 - Garatuja: Faz parte da fase sensório motora ( 0 a 2 anos) e parte da fase pré-operacional (2 a 7 anos). A criança demonstra extremo prazer nesta fase. A figura humana é inexistente ou pode aparecer da maneira imaginária. A cor tem um papel secundário, aparecendo o interesse pelo contraste, mas não há intenção consciente. Pode ser dividida em:
• Desordenada: movimentos amplos e desordenados. Com relação a expressão, vemos a imitação "eu imito, porém não represento". Ainda é um exercício.• Ordenada: movimentos longitudinais e circulares; coordenação viso-motora. A figura humana pode aparecer de maneira imaginária, pois aqui existe a exploração do traçado; interesse pelas formas (Diagrama).
Aqui a expressão é o jogo simbólico: "eu represento sozinho". O símbolo já existe. Identificada: mudança de movimentos; formas irreconhecíveis com significado; atribui nomes, conta histórias. A figura humana pode aparecer de maneira imaginária, aparecem sóis, radiais e mandalas. A expressão também é o jogo simbólico.
2 - Pré- Esquematismo: Dentro da fase pré-operatória, aparece a descoberta da relação entre desenho, pensamento e realidade. Quanto ao espaço, os desenhos são dispersos inicialmente, não relaciona entre si. Então aparecem as primeiras relações espaciais, surgindo devido à vínculos emocionais. A figura humana, torna-se uma procura de um conceito que depende do seu conhecimento ativo, inicia a mudança de símbolos. Quanto a utilização das cores, pode usar, mas não há relação ainda com a realidade, dependerá do interesse emocional. Dentro da expressão, o jogo simbólico aparece como: "nós representamos juntos".
3 - Esquematismo: Faz parte da fase das operações concretas (7 a 10 anos).Esquemas representativos, afirmação de si mediante repetição flexível do esquema; experiências novas são expressas pelo desvio do esquema. Quanto ao espaço, é o primeiro conceito definido de espaço: linha de base. Já tem um conceito definido quanto a figura humana, porém aparecem desvios do esquema como: exagero, negligência, omissão ou mudança de símbolo. Aqui existe a descoberta das relações quanto a cor; cor-objeto, podendo haver um desvio do esquema de cor expressa por experiência emocional. Aparece na expressão o jogo simbólico coletivo ou jogo dramático e a regra.
4 - Realismo: Também faz parte da fase das operações concretas, mas já no final desta fase. Existe uma consciência maior do sexo e autocrítica pronunciada. No espaço é descoberto o plano e a superposição. Abandona a linha de base. Na figura humana aparece o abandono das linhas. As formas geométricas aparecem. Maior rigidez e formalismo. Acentuação das roupas diferenciando os sexos. Aqui acontece o abandono do esquema de cor, a acentuação será de enfoque emocional. Tanto no Esquematismo como no Realismo, o jogo simbólico é coletivo, jogo dramático e regras existiram.
5 - Pseudo Naturalismo: Estamos na fase das operações abstratas (10 anos em diante)É o fim da arte como atividade expontânea. Inicia a investigação de sua própria personalidade. Aparece aqui dois tipos de tendência: visual (realismo, objetividade); háptico ( expressão subjetividade) No espaço já apresenta a profundidade ou a preocupação com experiências emocionais (espaço subjetivo). Na figura humana as características sexuais são exageradas, presença das articulações e proporções. A consciência visual (realismo) ou acentuação da expressão, também fazem parte deste período. Uma maior conscientização no uso da cor, podendo ser objetiva ou subjetiva. A expressão aparece como: "eu represento e você vê" Aqui estão presentes o exercício, símbolo e a regra.
E ainda alguns psicólogos e pedagogos, em uma linguagem mais coloquial, utilizam as seguintes referencias:
• De 1 a 3 anos
É a idade das famosas garatujas: simples riscos ainda desprovidos de controle motor, a criança ignora os limites do papel e mexa todo o corpo para desenhar, avançando os traçados pelas paredes e chão. As primeiras garatujas são linhas longitudinais que, com o tempo, vão se tornando circulares e, por fim, se fecham em formas independentes, que ficam soltas na página. No final dessa fase, é possível que surjam os primeiros indícios de figuras humanas, como cabeças com olhos.
• De 3 a 4 anosJá conquistou a forma e seus desenhos têm a intenção de reproduzir algo. Ela também respeita melhor os limites do papel. Mas o grande salto é ser capaz de desenhar um ser humano reconhecível, com pernas, braços, pescoço e tronco.
• De 4 a 5 anosÉ uma fase de temas clássicos do desenho infantil, como paisagens, casinhas, flores, super-heróis, veículos e animais, varia no uso das cores, buscando um certo realismo. Suas figuras humanas já dispõem de novos detalhes, como cabelos, pés e mãos, e a distribuição dos desenhos no papel obedecem a uma certa lógica, do tipo céu no alto da folha. Aparece ainda a tendência à antropomorfização, ou seja, a emprestar características humanas a elementos da natureza, como o famoso sol com olhos e boca. Esta tendência deve se estender até 7 ou 8 anos.
• De 5 a 6 anosOs desenhos sempre se baseiam em roteiros com começo, meio e fim. As figuras humanas aparecem vestidas e a criança dá grande atenção a detalhes como as cores. Os temas variam e o fato de não terem nada a ver com a vida dela são um indício de desprendimento e capacidade de contar histórias sobre o mundo.

• De 7 a 8 anosO realismo é a marca desta fase, em que surge também a noção de perspectiva. Ou seja, os desenhos da criança já dão uma impressão de profundidade e distância. Extremamente exigentes, muitas deixam de desenhar, se acham que seus trabalhos não ficam bonitos.
Como podemos perceber o linha de evolução é similar mudando com maior ênfase o enfoque em alguns aspectos. O importante é respeitar os ritmos de cada criança e permitir que ela possa desenhar livremente, sem intervenção direta, explorando diversos materiais, suportes e situações.
Para tentarmos entender melhor o universo infantil muitas vezes buscamos interpretar os seus desenhos, devemos porem lembrar que a interpretação de um desenho isolada do contexto em que foi elaborado não faz sentido.
É aconselhável, ao professor, que ofereça às crianças o contato com diferentes tipos de desenhos e obras de artes, que elas façam a leitura de suas produções e escutem a de outros e também que sugira a criança desenhar a partir de observações diversas (cenas, objetos, pessoas) para que possamos ajudá-la a nutrisse de informações e enriquecer o seu grafismo. Assim elas poderão reformular suas idéias e construir novos conhecimentos.
Enfim, o desenho infantil é um universo cheio de mundos a serem explorados.
Referências Bibliográficas
LUQUET, G.H. Arte Infantil. Lisboa: Companhia Editora do Minho, 1969.MALVERN, S.B. "Inventing 'child art': Franz Cizek and modernism" In: British Journal of Aesthetics, 1995, 35(3), p.262-272.MEREDIEU, F. O desenho Infantil. São Paulo: Cultrix, 1974.
NAVILLE, Pierre. "Elements d'une bibliographie critique". In: Enfance, 1950, n.3-4, p. 310. Parsons, Michael J. Compreender a Arte. Lisboa: Ed. Presença, 1992.PIAGET, J. A formação dos símbolos na Infância. PUF, 1948
RABELLO, Sylvio. Psicologia do Desenho Infantil. São Paulo: Companhia Editora Nacional, 1935.READ, HEBERT. Educação Através da Arte. São Paulo: Martins Fontes, 1971.RIOUX, George. Dessin et Structure Mentale. Paris: Presses Universitaires de France, 1951.ROUMA, George. El Lenguage Gráfico del Niño. Buenos Aires: El Ateneo, 1947.
REFERENCIAL CURRICULAR NACIONAL PARA A EDUCAÇÃO INFANTIL. Ministério da Educação e do Desporto, secretaria de Educação Fundamental. Brasília: MEC/SEF, 1998. 3v.

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Para Refletir: VERDADE OU MENTIRA



1. SÓ PAGAR MELHOR O PROFESSOR JÁ MELHORA O APRENDIZADO
Pesquisas nacionais e internacionais indicam que não há relação entre o salário do professor e o aprendizado dos alunos no curto prazo, já que não há impacto imediato na maneira como o professor ensina. No entanto, no longo prazo, alguns especialistas em educação afirmam que isso pode tornar a carreira de professor mais atraente, estimulando os melhores alunos do ensino médio a seguirem essa profissão.
2. MELHORAR A INFRAESTRUTURA DA ESCOLA TEM IMPACTO POSITIVO NO
DESEMPENHO DOS ALUNOS
Na avaliação de alunos da oitava série na Prova Brasil de 2007, de 14 CEUs avaliados, 9 tiveram nota menor que a média da rede municipal de São Paulo. Uma das hipóteses é que, sem ter professores preparados para ensinar melhor, dispor de facilidades como piscina, teatro e recursos tecnológicos avançados não traz avanços no aprendizado dos alunos.
3. A PROGRESSÃO CONTINUADA CONTRIBUI PARA PIORAR A QUALIDADE DO ENSINO
Nesse sistema, o aluno não está sujeito a repetência ao fim de cada série, mas ao fim de cada ciclo. Segundo pesquisa de Naércio Menezes Filho, os alunos das redes com progressão continuada têm desempenho muito parecido ao dos alunos de escolas com regime seriado. "Além disto, a evasão é muito maior no segundo caso (seriado)."
4. CURSOS DE RECICLAGEM PARA PROFESSORES AJUDAM A MELHORAR O ENSINO
Estudos feitos no Brasil e no exterior mostram que os professores que fizeram os chamados cursos de formação continuada não passaram a ensinar melhor. Isso porque eles são muito teóricos e influenciam pouco na melhoria do ensino em sala de aula. Mozart Neves, presidente do Todos pela Educação e professor da UFPE, ressalta que o mais indicado seria melhorar a formação dada nas universidades.
(Quero manifestar minha opinião a este respeito... realmente se a teoria não estiver alicerçada à prática dificilmente a mesma terá valia. Em nossas Formações Continuadas precisamos transformar competência em habilidade, ou seja, teoria em prática diária, e isto só é possível com discussões, trocas, apropriação do conhecimento com seu uso sábio, reflexão na ação, após a ação e mudança de postura quando necessário)5. GASTAR MAIS COM EDUCAÇÃO É SUFICIENTE PARA AUMENTAR O APRENDIZADO DOS ALUNOS
De acordo com levantamento feito por Menezes Filho, municípios que gastam R$ 1.000 por aluno no ensino fundamental têm a mesma nota na Prova Brasil do que municípios que gastam R$ 3.000. O economista Gustavo Ioschpe lembra ainda que, na maioria dos casos, aumentar os gastos com educação significa elevar os salários dos professores, que não é algo que dá resultados.
6. A ESCOLA NÃO PODE AJUDAR FILHOS DE FAMÍLIAS DESESTRUTURADAS
Para aprender, o aluno deve estar bem emocionalmente, mas isso não quer dizer que a escola deve se eximir de seu papel de educar, diz Magdalena Viggiani Jalbut, do Instituto Superior de Educação Vera Cruz. Além disso, mesmo no caso de uma família fora do padrão (quando mãe e pai não estão interessados na educação do filho), qualquer outro parente, até um primo, pode estimular a criança a aprender, segundo estudos feitos na França citados por Maria Letícia Nascimento, da Faculdade de Educação da USP.
7. SISTEMAS DE ENSINO APOSTILADOS TOLHEM A AUTONOMIA DO PROFESSOR
Estudos feitos por Paula Louzano, doutora em educação pela Universidade Harvard (EUA), mostram que municípios de SP que usam esses métodos estruturados (como os do COC e do Anglo, com apostilas) tiveram desempenho superior na Prova Brasil, na comparação com as demais redes municipais. Em entrevista com
professores que usam o sistema, 84% disseram que o desempenho dos alunos melhorou e 36% que o material estimula o aprendizado.
Fonte: 10/11/2009 - Folha de São Paulo - Verdades e mitos sobre a educação
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