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domingo, 3 de outubro de 2010

A sabedoria do silêncio



Mais um espaço interessante, com muitos textos, é só clicar aqui para você conhecer...
Veja o texto abaixo... já pensou alguma vez sobre o silêncio. Trago aqui o texto para nossa reflexão (há pequenas adaptações e cortes do texto original)
Revista Espaço Acadêmico, nº. 62, julho de 2006

RAYMUNDO DE LIMA


“Dentre todas as manifestações humanas, o silêncio continua sendo a que, de maneira muito pura, melhor exprime a estrutura densa e compacta, sem ruído nem palavras, de nosso inconsciente próprio” (J.-D. Nasio)

“O analista não tem medo do silêncio [...]; ele não escuta somente o que está nas palavras, escuta também o que as palavras não dizem. Escuta com a “terceira orelha”... (T. Reik)

"Na Finlândia, se você está feliz, deve estar em silêncio para ouvir os próprios pensamentos” (?)

É praticamente impossível esperar que crianças e adolescentes naturalmente fiquem em silêncio num culto, aula, teatro, concerto musical, reunião. Os adultos, por sua vez, deviam dar o exemplo ficando de boca fechada nas igrejas antes ou durante o culto, numa palestra, na biblioteca, etc. Será que existe medo do silêncio, necessário para reflexão?

Para ler e compreender um texto filosófico ou teológico, um poema, é preciso silêncio. Há músicas que só podem ser ouvidas sob um fundo de silêncio. Os retiros espirituais são importantes para capacitar as pessoas a conviverem melhor consigo mesmas; aprender a controlar a inquietação de nossa alma, rumo à ascese. Não “treinar” o silêncio é se entregar à fala vazia ou boba, reforçando um estilo sustentado na ignorância.

“O combate contra a ignorância é a meta de toda educação” diz o professor da UFMG, Roberto Jamil Cury. “Se a barbárie está presente através de atos na própria civilização, desbarbarizar tornou-se uma questão urgente da educação”, alertava o filósofo T. Adorno, na década de 1950.

Contudo, o elogio ao silêncio como sinal de educação deve ser rompido, sempre, para protestar contra os atos que causam direta ou indiretamente indignação, violência e destruição.

Silêncio para ensinar.

Os professores do ensino fundamental e médio, atualmente, reclamam que na sala de aula passam mais tempo pedindo silêncio aos alunos do que ensinando. Apesar dos sinais de barbárie na escola contemporânea, pouco se tem feito para impedir o seu avanço. Que fazer se os especialistas em educação se limitam a rotina de produção teórica abstracionista, e os responsáveis pelo sistema educacional continuam fugindo do compromisso de fazer “dialética do concreto” com o cotidiano das relações humanas na escola e na universidade? Onde está o equilíbrio entre conhecimento e sabedoria na formação dos professores para o futuro? Quem educará os pais para melhor educar os filhos?

Um dos efeitos da “geração net” é não respeitar os espaços cujo silêncio é quase obrigatório. Além de não suportar o silêncio necessário para introspecção, a “geração net” não tem paciência de seguir o fio condutor de uma conversa. Quanto mais jovem, mais rapidamente passa de um tema para outro ou troca de interlocutor como quem aperta o botão do controle remoto da TV. Mais do que impaciência, tais atitudes podem também revelar intolerância e desrespeito para com o próximo e falta de sintonia com o ambiente.

Como imaginam que “mandam no pedaço”, crianças e adolescentes se acham no direito de interromper a conversa dos adultos por motivo fútil. Os adultos, por sua vez, fingem que aceitam a atitude grosseira, ou se acovardam, deixando de exercer a autoridade de educadores, cujo resultado previsível é a incivilidade.

Muitas pessoas estão deixando de freqüentar os cinemas para evitar constrangimentos com platéias mal educadas, barulhentas, parecendo estar mais interessadas em comer pipoca e dar arrotos de refrigerantes do que assistir ao filme em silêncio. (Existe diferença entre a demonstração de incivilidade do MLST no Congresso Nacional, as depredações das escolas públicas, ou outras menos barulhentas promovidas pelas gangs no dia a dia urbano?).

Mede-se o nível de ensino de uma universidade pelo grau de silêncio de sua biblioteca. Alunos de alguns cursos de nível superior são mais propensos ao zunzunzun da “conversa paralela” que, sem querer-querendo, termina atrapalhando o silêncio imprescindível para ouvir uma exposição oral. Se o assunto é complexo e/ou o professor tem o estilo monótono, aumenta a probabilidade de dispersão e cochichos inconvenientes. O historiador Peter Burke observa que essa inclinação para romper a romper com o silêncio necessário de uma aula, nos países latinos, talvez viria de costume cultural de “tentar ouvir muitas pessoas falando ao mesmo tempo”. Ao contrário do costume anglo-saxônico que exige total silêncio da audiência, o palestrante para público latino-americano deve estar preparado para discorrer seu assunto tendo como ruído de fundo o zumbido de vozes. Curiosamente, ele seria considerado mal educado ou impolido se pedir silêncio, deixando transparecer certa irritação para com os verdadeiros mal educados.

Convenção do silêncio.

Burke observa que existe um “acordo público” que nos induz ficarmos em silêncio em certas ocasiões. Num velório, solenidade, audiência pública, culto religioso, concerto musical, durante a execução do Hino Nacional, o silêncio é sinal de respeito e sintonia espiritual. Devemos evitar falar, ainda que baixinho, para não causar constrangimentos em ambientes sociais necessariamente silenciosos. O silêncio é natural porque faz parte da função biológica, quando estamos num banheiro, tentando dormir; ou psicológica, quando nos entregamos à introspecção; ou social, quando esperamos nossa vez, numa fila, cortejo fúnebre.

“silêncio é um dos elementos essenciais em todas as religiões”, observa G. Mensching. Há variedades de silêncio sagrado: pessoal, comunal, o ‘silêncio eleito’ dos monges e freiras de clausura, a oração silenciosa ou ‘mental’. “O silêncio religioso é um misto de respeito por uma divindade; uma técnica para abrir o ouvido interior; e um sentido de inadequação de palavras para descrever as realidades espirituais”, escreve P. Burke.

É preciso “saber ficar em silêncio”, sentenciava La Rochefoucault. Os mal educados ignoram o sentido ético, estético, cultural, moral, jurídico e psicológico do silêncio. Assim como o sábio e o monge escolhem ficar mais tempo em silêncio – meditando, orando – podemos inferir que os verdadeiramente civilizados e comprometidos com a sabedoria são propensos a conversas intercaladas com o silêncio da prudência ao dizer e esperar o outro revelar seu ponto de vista. O silêncio atua como parte fundamental de uma conversação, que deve obedecer às regras de diversas situações, revelando assim o grau de civilidade das pessoas que participam dos diferentes encontros sociais.

Existe o “silêncio localista” das igrejas, bibliotecas, museus e hospitais. Recebe um olhar de reprovação e um discreto psiu quem desrespeitar o silêncio necessário para rezar, estudar, apreciar, ouvir uma palestra, ou visitar um enfermo.

Portanto, precisa ser reeducado aquele que desrespeita os locais de silêncio. A pessoa que fala pelos cotovelos palavras vazias, que sofre de incontinência verbal monopolizando a palavra, poderia receber benefícios incalculáveis psicanálise. É preciso compreender que excesso de palavras cansa, irrita, chateia, e termina boicotando a harmonização do ambiente social e comprometendo a própria imagem do falante compulsivo.

Sabedoria e cálculo do silêncio.

Vários ditados populares dão importância ao silêncio: “Deus nos deu uma boca e dois ouvidos para que possamos menos falar e mais ouvir”“Manter a boca fechada e os olhos bem abertos”, diz uma versão italiana; “Em boca fechada não entra mosca”, dizem os espanhóis e portugueses. Os comerciantes europeus inventaram a metáfora “o silêncio é de ouro e palavra é de prata”. O provérbio árabe “cada palavra que tu falas é uma espada que te ameaças”induz a prudência e o cálculo sobre o que, como e em que ocasião falar.

Existe uma relação íntima entre o silêncio e a prudência. O padre jesuíta Baltazar Gracian (séc.17) achava que “no silêncio cauteloso é que a prudência se refugia”. Ou seja, escolher ficar em silêncio não é valorizar a mudez, mas sim, saber calar de acordo com o lugar ou a ocasião: “Fale pouco, mas nunca pareça mudo e embaraçado...”, dizia uma antiga etiqueta social. Até o filósofo da linguagem, Wittgenstein (séc. 20), alertava que “Aquilo que não se pode falar, deve-se calar”. Enfim, o silêncio pode ser reconhecido como uma virtude que evita polêmicas desnecessárias e brigas perigosas. “Diante de tanta ignorância respondo com meu silêncio”, encurtava Rui Barbosa.

Entretanto, diante da intolerância, do racismo e dos fundamentalismos, devemos ficar em silêncio? Nessas situações, o bom senso entende que “o dever do intelectual é romper o silêncio, ainda que sua voz seja abafada pelos poderosos e seus cúmplices de plantão”[1]“O grande cúmplice da tirania é o silêncio; não atacar o despotismo é a maneira mais covarde de servi-lo; não denunciá-lo é auxiliá-lo; estar próximo dele sem feri-lo é a maneira mais vil de protegê-lo; e proteger o crime é mil vezes pior que cometê-lo; eis aí a hora em que a palavra é um dever e o silêncio é um crime”[2].

Nada justifica, portanto, que muitos intelectuais – principalmente aqueles que acreditam que a “esquerda deve ser, sempre, moral ou ética” fiquem calados diante do terrorismo (condenado, inclusive, por Che Guevara), do genocídio nos regimes totalitários autodenominados socialistas ou nacional-socialistas (nazi-fascistas), da corrupção, da delação em nome da “causa justa”. É triste reconhecer como o infantilismo ainda domina uma parte da esquerda que cultua personalidades e faz “turismo revolucionário”[3], se alienando de ver o “todo”. Há que sustentar, sempre, uma atitude crítica das contradições dos regimes ou dos homens “demasiadamente humanos”. Tomás de Aquino dizia temer o homem que só conhece um livro [Timeo hominem unius libri]. Os homens sensatos deveriam desconfiar de todos os discursos, sobretudo os que produzem entorpecimento da razão crítica dos ouvintes condenados a somente ouvir em silêncio, repetindo o que o “grande mestre” diz.Os alunos deveriam questionar os professores que falam tanto como que obrigando os alunos a um silêncio de fé. Provavelmente, nesse caso, não temos ensino, mas sim, doutrinação.

Hoje, convivemos com uma civilização complexa, dominada pelo fetiche tecnológico sem um código moral de como usar tais bugigangas. O celular, por exemplo, é útil, mas também pode ser um instrumento de incivilidade quando toca fora de hora e no lugar inadequado. Pior é quando o dono se acha no direito de atender, ali mesmo, sem cerimônia e sem vergonha, falando alto para quem quiser ouvir. E o que dizer daqueles que falam com o famigerado aparelho dirigindo seu carro? E os que rompem o silêncio imposto por uma prisão que serviria para fazerem seu exame de consciência e se sentem autorizados a usarem o aparelhinho para desencadear violência numa cidade como São Paulo?



[1] OZAI, Antonio. “Assim falou Vargas Vila”. Disponível em Revista Espaço Acadêmico, nº. 61, junho de 2006. Acesso em: jun. 2006. Acesso em: jun. 2006.

[2] BAZZO, Ezio Flavio. Assim falou Vargas Vila. Brasília: Companhia das Tetas Publicadora, 2005. (XLVIII).

[3] O psicanalista Contardo Calligaris toma emprestado uma idéia de outro psicanalista, Fábio Hermann, que observou que o “turista é quem tira seu retrato colocando-se na frente do lugar visitado, mas olhando para a câmera: somos turistas quando viajamos de costas para o real [...]. Aos turistas revolucionários de Caracas, sugiro uma leitura. Rossana Rossanda acaba de publicar (na Itália) suas memórias, "La Ragazza del Secolo Scorso" (a moça do século passado; Einaudi)”. (CALLIGARIS, C. Os revolucionários silenciosos. Folha de S. Paulo, Cad. Ilustrada, 22 de junho de 2006.


quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Newsletter... 08/2010

Ações... elas envolvem deslocamento, mas começam ainda no pensamento.
Vamos caminhar mais? Vamos aprender? Vamos ensinar? Se link... veja quanta novidade no nosso portal...
Aproveite!!!

Comemoração dos 150 anos do nome Adventistas do Sétimo Dia

O Portal da Educação Adventista preparou um espaço interativo com atividades referentes a esse momento histórico. Uma ótima atividade para as aulas de Ensino Religioso. A comemoração oficial será no sábado 2 de outubro.

Eu conheço minha história

Educação Infantil

Estão disponíveis três novas multimídias para os professores trabalharem com o eixo saúde.

Alimento é Saúde – Conscientização sobre a importância do consumo de frutas e legumes.

Higiene é Saúde – Incentiva o cuidado com a higiene física.

Meu corpo – Apresenta as principais partes do corpo humano e a função de cada uma.


Português e Literatura

Oriente seus alunos a fazerem fichamento de leitura. Isso os ajudará a manter registrado o que há de mais importante nos livros que leem.

Como fazer um fichamento de leitura

Entrevista

O professor Adolfo Semo Suárez fala sobre o tema de sua tese doutoral defendida na Umesp, cujo título é Liberdade e Serviço: A Contribuição de Pensamento de Ellen G. White para uma Práxis Educacional Libertadora.

Confira a entrevista

Eleições – trabalhando a importância do voto

No dia 3 de outubro, mais de 135 milhões de brasileiros irão às urnas para escolher os dirigentes dos Estados, do Congresso Nacional e do país. Veja a sugestão de projeto para esta semana.

Acesse o projeto

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segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Newsletter - Mais novidades do Portal Educação Adventista... Se link!!!



O conhecimento é como uma luz... dissipa as trevas, se reproduz e se torna grandiosa... cada oportunidade de informação para desenvolvimento do conhecimento e fortalecimento da sabedoria deve ser aproveitada... mais uma vez disponibilizamos a Newsletter do Portal da Educação Adventista para você se linkar nas últimas postagens...
Aproveite muiiiiiiiittttttttttoooooooooooooooooo!!!


Cadastro de Interessados

Neste período de matrículas, muitos interessados em Estudar nas Escolas Adventistas se cadastraram por meio do Portal. O número de inscritos está aumentando, por isso é fundamental que administradores e secretários das escolas integradas fiquem atentos ao Sistema de Gerenciamento Integrado.

Veja quem está interessado em estudar na sua escola

Enem 2010

Como deverão proceder os guardadores do sábado durante o exame? Quem não marcou a opção “Atendimento Especial - Guardador do Sábado” poderá fazer as provas após o pôr do sol?

Saiba as respostas e informe aos seus alunos

Eleições

O que faz o presidente da República? É essencial para esta época de eleições explicar as atribuições dos governantes.

Acesse

Dia da Árvore

Curiosidade – Dia 21 é comemorado o Dia da Árvore. Saiba qual é a maior árvore do mundo, onde está localizada e quais são suas medidas.

Veja a curiosidade

Projeto Amigos da Árvore - Este projeto visa a despertar nas crianças a consciência ambiental para que possam ser os agentes de informação em suas respectivas famílias.

Acesse o Projeto

Conteúdos indicados

• Quiz - Aspectos do Continente Americano

• Quiz - história da Matemática

• Pesquisa Escolar - A Guerra Fria e nosso dia a dia

• Pesquisa Escolar – Algarismos Romanos

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Até a próxima Newsletter... tudo, aqui no BLOG!!!

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

RELATÓRIO DE AVALIÇÃO DESCRITIVA


CONCEITO


O RELATÓRIO DE AVALIAÇÃO DESCRITIVA É UM DOCUMENTO QUE SE ENTREGA AOS PAIS NO FINAL DE UM PERÍODO PRÉ DETERMINADO PELA ESCOLA ONDE SE DÁ CIÊNCIA A ELES SOBRE O TRABALHO DESENVOLVIDO PELA ESCOLA, AS CONQUISTAS E PROGRESSOS DOS ALUNOS. Não é um documento que se caracteriza como a palavra final acerca do desenvolvimento da criança, mas é um diálogo que se abre com a família para entendê-la melhor. Por exemplo: Na escola em determinada situação a criança age assim...Vamos conversar para ver se em casa também ela reage assim? O que podemos fazer juntos para ajudá-la?

COMO ESCREVÊ-LO?

Na abertura, escrevemos de uma forma geral sobre os projetos realizados no período, descrevemos o interesse da turma, as atividades mais marcantes e as aprendizagens significativas que eles tiveram. Essa escrita pode ser igual para todos, variando as falas sobre o desenvolvimento específico da criança, reação da mesma referente ao projeto, ou quando houver um possível objetivo que não foi alcançado, neste caso expor as ações que serão realizadas para auxiliar o aluno. Dessa forma esse relatório se torna mais exclusivo, mais pessoal.

Em vez de dizer: Nesse bimestre a professora fez isso, propôs essa atividade etc, etc..., Fale na perspectiva do aluno: Mariana aprendeu que... ela amou fazer isso... participar daquilo, ficou entusiasmada ao... etc., etc. Para o pai, interessa MUITO as reações, as falas e as aprendizagens de seu filho.

Em seguida escrevemos em mais um ou dois parágrafos sobre a criança, seu jeito de ser, seus relacionamentos, aspectos de independência e autonomia. Esse é o Eixo Identidade e Autonomia (RCNEI vol. 2).

Nos parágrafos seguintes comentamos sobre o desenvolvimento da criança em cada eixo trabalhado: Corpo e Movimento, Artes Visuais e Música, Natureza e Sociedade, Ensino Religioso, Linguagem Oral e Escrita, e Matemática (seis eixos no total).

Às vezes, podemos no mesmo parágrafo colocar dois eixos como por exemplo: Música e Artes Visuais, se o que for escrever não for muito.

Os professores das aulas especiais também precisam deixar com a professora titular o seu parecer sobre cada aluno.

Esse relatório tem que ser coerente e coeso. Não pode parecer que muitas pessoas escreveram e aos poucos foram colocando suas escritas uma após a outra, sem muita lógica ou continuidade. Uma releitura final para perceber esses aspectos é importante.

Cada coordenadora deve comunicar as datas de entrega desses relatórios com antecedência e esse prazo deve prever um tempo razoável para a coordenadora ler todos os relatórios, conversar com o professor e devolvê-lo para as possíveis correções. Essas primeiras correções devem ser realizadas junto com o professor para que se tome consciência dos aspectos a melhorar, e o juntos tenha a oportunidade de crescer ao refletir sobre as correções feitas. Lembrando que sempre é preciso o caderno de campo para subsidiar o relatório, a cabeça não se lembra de tudo se não estiver anotado.

NESSA EXPERIÊNCIA, SERIA IMPORTANTE ANTES DA PROFESSORA ENTREGAR PARA A COORDENADORA TODOS OS RELATÓRIOS, QUE APRESENTE UNS 3 RELATÓRIOS ( antes de escrever os demais ). Esses relatórios podem ser de um ÓTIMO aluno, de um BOM, e de um aluno que APRESENTA ALGUMA DIFICULDADE. Dessa forma os possíveis erros que poderão surgir, já seriam corrigidos antes dos demais relatórios serem escritos.

Se a coordenadora perceber, pelos erros que encontra, que não houve uma revisão geral (leitura final), por parte do professor, deve devolver para que essa leitura seja feita. Tudo isso precisa ser feito com muita atenção, por isso é necessário que os prazos sejam respeitados, para que não haja atropelos. Esse é um documento de uma ESCOLA para uma FAMÍLIA, por isso não pode ter erros. É um documento muito sério, que dependendo dos termos utilizados podem trazer grandes transtornos para o profissional que o escreveu e para a escola.

A base da redação deve estar apoiada em dois pilares:

1º) Nos objetivos específicos propostos para cada eixo temático, relacionados no bimestre; (ver referenciais e livro para consulta :Aprender e Ensinar na Educação Infantil – Eulália Bassedas – Cap. 5 ( Artmed ).

É imprescindível construir uma pauta (caderno de campo) de observação para facilitar e ir elaborando o relatório durante o bimestre.

2º) As anotações feitas pela professora diariamente ou semanalmente, podem ser feitas num caderno ou já em uma pasta aberta no computador com uma página para cada aluno.

Dicas gerais:

• Quando for escrever sobre a criança, por exemplo, no Eixo Identidade e Autonomia, coloque primeiro os aspectos positivos, só depois os negativos; cuidado para não afirmar “a criança é insegura”, em lugar disso descreva suas ações e reações: “Quando Fabiana chega na escola, primeiro pára na porta, olha e procura a professora, se ela me vê, sente-se a vontade quando....

• Cuidado para não emitir seu parecer sobre a criança, quando o que você está se referindo são aspectos subjetivos. É muito comum descrevermos uma situação e já “darmos“ o julgamento. Por exemplo: “Ela não participa das conversas na roda pois tem vergonha (quem disse que é por vergonha ? Podem ser devido a outros fatores).

• Quando colocamos uma situação que a criança está com dificuldades, sempre precisamos escrever o que temos feito para ela crescer ou superar essa dificuldade. Exemplo: Margarida tem dificuldade de perdoar o amigo, preciso sentar, conversar com ela e chamar o amigo para ela pedir perdão, preciso começar a conversa e “dar um força” para ela pedir desculpa... OU... Para a Fabiana participar do texto coletivo com suas opiniões, a professora precisa perguntar diretamente para ela: O que você está pensando? Pode falar Fabiana! Dessa forma ela sente-se segura, e mesmo baixinho, ela dá sua sugestão.

• Não escrever “Ainda não consegue... dê preferência para colocar o que ela(o) consegue fazer sozinha ou com ajuda de alguém.

• Termine sempre com palavras carinhosas, demonstrando que gosta, que acredita na criança...

• Anexe folhas de exercício que a criança realizou, quando for importante e necessário esclarecer melhor aos pais ou como uma comprovação do que você está se referindo. Exemplo: O Rafael está escrevendo uma letra para cada sílaba de seu nome e geralmente utiliza as letras de seu nome, demonstra estar na hipótese silábica sem referência sonora. Neste caso, se ainda não foi explicado para os pais sobre as hipóteses, etc. anexar um informativo a respeito (padronizar algo com o coordenador).

• São exemplos de situações que podem vir como anexo: “O nível que a criança está na escrita, a forma como ela resolve problemas matemáticos, a resolução de problemas através de desenho, problemas matemáticos , desenho da figura humana, resolução de escrita espontânea ou sobre algo que você precisa exemplificar”.

• Cuidado com expressões muito gerais: “O Fabrício se desenvolveu bem nas questões de produção de texto coletivo e na expressão oral.” Isso é muito geral. É necessário descrever o seu crescimento. O que ele faz, que o levou a essa conclusão? Ele participa com ideias coerentes, bem organizadas, criativas? Ele se expressa de forma clara com pronúncia correta das palavras, fala de forma espontânea?

• Um professor que presta conta aos pais através de um relatório descritivo, precisa ser muito observador e não confiar que a sua mente vai “guardar” tudo. É preciso valorizar e colocar em prática o seu registro com as suas reflexões. Ninguém observa todas as crianças de uma vez e nem consegue observar tudo. Escolha umas 4 ou 5 crianças para você observar por atividade ou até por dia. Isso facilita. Antes disso, sua planilha de observação tem que estar feita para você saber o que vai observar, o que é mais pertinente? Nível de leitura, Conceitos matemáticos, etc.

• Uma avaliação diária do trabalho do desenvolvimento da criança, não é só para prestar conta aos pais. É uma avaliação para o professor nas questões referentes à metodologia, gestão do espaço, do tempo, das relações com as crianças, etc. O professor precisa fazer essas reflexões o tempo todo para ir corrigindo, reformulando a sua prática e favorecer de forma cada vez mais competente a aprendizagem e desenvolvimento pessoal e social de seus alunos.

• Lembre-se que a cada bimestre você vai escrever um novo relatório e é importante arquivar todos eles para não ficar repetindo o que falou nos anteriores. Por isso no início do bimestre já deve estar definido o que você vai observar durante o mesmo.

Sucesso a todos nessa caminhada. Não esqueçam de orar toda vez que forem planejar, iniciar sua aula e escrever um relatório. Deus dá sabedoria e supre nossas necessidades, se assim lhe pedirmos e o buscarmos com fé.

Colaboração: ELENI HOSOKAWA WORDELL
Adaptação: Nádia Teixeira da Silveira

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Os ''cursinhos'' para o Enem


O Estado de São Paulo, 10/09/2010 - São Paulo SP

Desde que o Ministério da Educação (MEC) modificou o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), em março do ano passado, convertendo-o na principal forma de ingresso nas 55 universidades federais, por meio do Sistema de Seleção Unificada, muitos estabelecimentos de ensino - principalmente os particulares e confessionais - reformularam seus projetos pedagógicos e passaram a produzir material didático, fazendo "simulados" e oferecendo cursinhos específicos para a prova. Várias escolas admitem que a adequação dos currículos ao perfil de exigências do Enem é uma estratégia para se manter no topo do ranking de qualidade do MEC.

Pelas novas regras do MEC, as notas do Enem poderão ser utilizadas para preencher cerca de 42 mil das 183 mil vagas das universidades mantidas pela União. A possibilidade de disputar diversos cursos sem precisar se inscrever em vários vestibulares é o que atrai os estudantes. Além disso, o Enem é geralmente um exame menos "difícil" do que os vestibulares tradicionais. A mudança no Enem também abriu novos negócios para os cursinhos preparatórios para vestibulares. Eles lançaram os chamados "laboratórios intensivos", com distintos formatos e duração que varia de cinco dias a dois meses e meio. Voltadas especificamente para essa prova, as aulas são preparadas para que os alunos entendam a lógica de avaliação do MEC e aprendam a lidar com o tempo para resolver as questões. As atividades dos "laboratórios intensivos", que são distintas das dos cursinhos tradicionais, valorizam a memorização e desenvolvem a capacidade de argumentação com base em temas da atualidade, como genética, aquecimento global, crescimento autossustentado, preservação ambiental e globalização econômica. Nas aulas, os professores dão "dicas" de respostas aos alunos e se concentram nos conteúdos e habilidades exigidos pelo MEC em quatro áreas: matemática, ciências humanas, ciências da natureza e linguagem. Para os cursinhos preparatórios, os "laboratórios intensivos" para a prova do Enem são apenas mais uma forma diferenciada de educação, que surgiu como decorrência natural das mudanças do sistema de avaliação do MEC. A exemplo dos cursinhos, as editoras especializadas em livros didáticos também lançaram centenas de publicações com exercícios e resumos teóricos sobre temas da atualidade. Há até livros de palavras cruzadas especialmente preparados para quem vai se submeter ao Enem.
Os educadores criticam essa ofensiva comercial no campo da educação, atribuindo-lhe o objetivo único de conquistar o mercado aberto pelas mudanças no Enem. Para alguns pedagogos, esse tipo de preparação dos estudantes para o Enem vai estimular as escolas a adotar medidas prioritariamente voltadas para objetivos mercadológicos, desfigurando um mecanismo cujo principal objetivo é aprimorar a qualidade do ensino médio. Com isso, o Enem poderá deixar de refletir a real situação das escolas. "Vai ser difícil identificar os valores e o conhecimento que a escola agregou aos estudantes. Sem contar que existem escolas com a política deliberada de expulsar alunos que não conseguem acompanhar o nível de ensino", diz Eduardo de Andrade, Ph.D. em economia da educação e professor do Insper.
Para outros pedagogos, os "laboratórios intensivos" para o Enem têm o mesmo defeito dos tradicionais cursinhos preparatórios para vestibulares. Ou seja, eles tentam ensinar, em poucas aulas e de forma açodada, o que os estudantes deveriam ter aprendido nas três séries do ensino médio. "A intenção do MEC é transformar o ensino médio. Mas as habilidades devem ser construídas a longo prazo e não num cursinho efêmero", diz Alípio Casali, professor de pós-graduação em educação da PUC/SP. A reação das escolas particulares, dos cursinhos preparatórios e das editoras às mudanças no Enem eram previsíveis e inevitáveis: adaptaram-se às novas regras dessa prova. O que se espera do MEC, agora, é que aperfeiçoe as mudanças que realizou, para preservar a eficiência do sistema de avaliação escolar.

Colaboração: Eleni Wordell

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Processos matemáticos

Veja que texto legal sobre processos matemáticos...
Com certeza se aplica a todas as séries, melhor ainda, para todos nós.
O texto está no Português de Portugal.



Processos Matemáticos
Menezes, L. (2007). Processos Matemáticos (Seminário Final do P.F.C.M. Guarda)
Ponte, J.P. e Serrazina, L. (2000). Didáctica da Matemática do 1.º Ciclo. Lisboa: Universidade Aberta

O processo ensino/aprendizagem da Matemática caracteriza-se não só pelos conceitos matemáticos trabalhados como também pelos processos que essa aprendizagem envolve. Os processos matemáticos são tudo aquilo que permite trabalhar com esses conceitos. São particularmente importantes os processos matemáticos de representar, relacionar e operar, resolver problemas e investigar e comunicar. É igualmente importante que o professor discuta com os alunos os processos mais adequados à realização de cada tarefa.


Representar

A representação é um processo de grande importância numa aula de Matemática. Os conceitos matemáticos são por natureza abstractos (número, grandeza, medida, operação,…) e portanto surge a necessidade de os representar. Esse processo pode assumir diversas formas:

- Linguagem oral e escrita

- Representações simbólicas (algarismos, sinais das operações, sinal de igual,…)

- Representações icónicas (figuras, gráficos, diagramas,…)

- Representações activas (objectos para representar entes matemáticos)

É através das representações que o professor toma conhecimento do modo de pensar dos alunos, e a partir daqui pode aprofundar as representações dos alunos de modo a ir de encontro às representações da Matemática, assim como planear o seu trabalho de forma a responder às necessidades de cada aluno. Os alunos podem usar diferentes representações para o mesmo conceito; devem, no entanto, decidir qual a mais adequada em determinada situação. Só assim as aprendizagens se podem tornar significativas para os alunos.

Relacionar e operar

Para relacionar e operar com conceitos recorre-se a outros processos como: calcular (transformar certos símbolos noutros símbolos de acordo com determinadas regras), generalizar (atribuir a um conjunto de objectos as propriedades de um determinado objecto), particularizar (considerar casos concretos) e interpretar (relacionar os conceitos matemáticos ou suas representações de modo a dar sentido a esses conceitos e ideias matemáticas).

Resolução de problemas

A resolução de problemas é outro processo de extrema importância na aprendizagem da Matemática e que merece um lugar de destaque em todos os programas, porque permite desenvolver nos alunos novas ideias matemáticas e estratégias de pensamento. A resolução de problemas recorre a processos mais simples de representar e relacionar, dado que é um processo de elevado nível de complexidade. Na verdade, diz-se que um aluno está perante um problema quando não tem nenhuma rotina nem algoritmos de aplicação imediata para encontrar a solução que procura.

Investigar

A investigação, tal como a resolução de problemas, é um processo de enorme importância na actividade Matemática. Uma investigação distingue-se de um problema por ser um processo mais aberto e mais longo e com uma formulação de partida menos definida. Mostra-se, de seguida, um quadro com as etapas características da resolução de problemas e das investigações.



RESOLUÇÃO DE PROBLEMAS                                      INVESTIGAÇÕES

                                                                                               Formular o problema/questão

Compreender o enunciado                                                       Desenvolver a compreensão sobre a questão

Definir um estratégia                                                                Formular conjecturas

Aplicar a estratégia                                                                  Testar e reformular as conjecturas

Avaliar os resultados e responder ao problema                         Validar a conjectura e relatar o processo.



Exemplos de investigações:

• Investiga as diagonais de polígonos convexos.

• Investiga o que acontece com o volume de um cubo quando se aumenta a medida do comprimento da sua aresta.

Comunicação

Tal como a resolução de problemas, a comunicação é um processo transversal ao ensino e à aprendizagem da Matemática. É através desta que os alunos expressam as suas ideias (intercomunicação) e alargam e aprofundam o seu conhecimento matemático (intracomunicação). Quando um aluno tenta convencer o outro do seu resultado é “obrigado” a justificar/argumentar, a organizar e consolidar o seu pensamento. Por outro lado, o professor apercebe-se do modo de pensar do aluno, dos seus erros, das suas dificuldades e, consequentemente, pode organizar o seu trabalho de modo a responder às necessidades de cada aluno.

Outros processos

Para além dos processos acabados de referir existem outros também importantes como por exemplo, deduzir (concluir sobre a veracidade de uma afirmação a partir de outras), modelar (construir e validar modelos matemáticos que possam representar fenómenos ou situações diversas), reflectir (quando um aluno considera uma ideia, um resultado e o encara de diversos pontos de vista), criticar (quando o aluno procura acerca da veracidade de uma afirmação, resultado ou método) e avaliar (a avaliação diz respeito à recolha de informação com o objectivo de tomar alguma decisão).


A actividade matemática centrada nos conteúdos, sem os processos, é inerte e sem sentido.


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quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Nova escrita... Velhos problemas


Michelle Bento

A cada ano, milhares de universitários brasileiros criam a expectativa de conseguir um estágio na área profissional que escolheram, e assim, se inserirem no mercado de trabalho e ganharem experiência prática daquilo que aprendem nas instituições de ensino superior. Eles se dedicam para tirar boas notas, se empenham para identificar o segmento no qual o seu perfil se encaixa melhor e, finalmente, iniciam a procura por uma oportunidade. Porém, muitos encontram, durante este processo, um obstáculo que, em tese, não deveriam ter: a Língua Portuguesa. Um levantamento feito pelo Centro de Integração Empresa-Escola do Rio de Janeiro (CIEE/Rio), a partir de provas de seleção para estágios, traz um retrato nada animador. Dos candidatos que participam de processos seletivos para estágio, cerca de 25% são eliminados na prova de Português, composta por questões de gramática e de uma Redação.

Com isto, nem sequer chegam a participar de entrevistas com o departamento de Relações Humanas das empresas, onde podem mostrar as competências comportamentais e a qualidade da formação técnica que têm.

De acordo com o presidente do CIEE/Rio e membro da Academia Brasileira de Letras (ABI), professor Arnaldo Niskier, a dificuldade destes jovens no uso da escrita decorre da falta do hábito da leitura durante a fase de formação.

"Prevejo um futuro ainda mais tenebroso com a inovação do livro digital, pois este será um privilégio para poucos e que poderá trazer prejuízos brutais à educação dos jovens universitários. Não podemos abandonar a mídia impressa sem ganhar a mídia eletrônica, porque ainda não se tem massa critica para dizer que isso será melhor para formação do jovem", explica.

Outro aspecto identificado em textos produzidos por universitários é a utilização frequente de termos típicos da linguagem da internet, mesmo quando a situação exige um tratamento mais formal do vocabulário e da construção de frases. O educador esclarece que o 'internetês', como este fenômeno é chamado, é resultado de um apelo dos estudantes para o conteúdo da internet, no lugar de outras fontes, como bibliotecas. "A falta de convívio com a norma culta da Língua Portuguesa é um fenômeno claro de deseducação. O universo virtual não é a oitava maravilha do mundo e não tem o papel de resolver todos os males", diz Niskier, ressaltando que uma das causas pode ser o hábito de muitos estudantes de copiar trabalhos originais da rede. "Esta é uma atitude nada criativa e desonesta, que muitas vezes, é pouco repreendida pelas universidades. A consequência disso, é que o indivíduo se forma despreparado e não consegue uma boa colocação no mercado."

Para especialista, estudantes não valorizam o bom uso do idioma - Apesar da deficiência, a Língua Portuguesa ainda não é disciplina obrigatória em todas as universidades do Brasil, o que segundo o presidente, dá margem a erros graves por profissionais que têm o Português como ferramenta principal de trabalho. "Temos que defender a ideia da Unesco de incluir uma formação continuada para que, até os que se formaram, voltem aos bancos universitários e tenham chance de aprender o que significa a língua para a cultura", declara Niskier. Para o especialista em Língua Portuguesa, Sérgio Nogueira, esta dificuldade do estudante está diretamente associada à deficiência que ele tem de visualizar as necessidades que ele terá na vida profissional, o que acaba por impedi-lo de valorizar e dar maior atenção a habilidades que ele com certeza irá precisar, como a escrita e a leitura.

"Da mesma forma que o cidadão aprende quando se deve usar terno e gravada e quando lhe é apropriado usar bermuda e chinelo de dedo, ele deveria aprender quando é que não pode usar gíria, quando não pode usar internetês e quando é que deve usar uma linguagem formal. Mas eu vejo tanto a escola como a universidade falhando ao passar isso ao aluno. Muitas vezes, é na vida profissional que as pessoas acabam tendo de aprender isto", atenta.

E para quem pensa que ter um Português em ordem é importante somente para profissionais das áreas de Educação ou Comunicação, o educador revela que a realidade atual é mais exigente do que se imagina. Em todas as profissões, é preciso escrever bem. Não só pela necessidade de fazer relatórios, mas, sobretudo, porque a comunicação escrita é cada vez mais comum nos ambientes e trabalho. "Aqueles problemas que o funcionário podia resolver por telefone, agora são solucionados por e-mail. E, para isso, é necessário saber escrever de forma clara para o entendimento daquele que vai receber. A escrita vai ser usada para o resto da vida deste profissional e, se ele vai escrever em papel ou pela internet, isso não muda nada", frisa Sérgio.

Redação é a parte mais problemática - Com 46 anos de existência, o CIEE/Rio busca intermediar o acesso dos universitários ao mercado de trabalho, por meio da oferta de treinamento e da seleção de estudantes para ingressarem em empresas, e assim, terem uma visão prática da profissão. Nos últimos anos, porém, o centro tem constatado desempenho ruim destes alunos com a Língua Portuguesa.

Os dados registrados no último ano, em dois processos seletivos realizados para duas grandes companhias, confirmam esta queda de rendimento dos universitários. Para uma das empresas, foram convocados 809 candidatos para a seleção, sendo que 37% (309 inscritos) foram reprovados. Na seleção para outra empresa, os resultados foram ainda piores. Dos 324 que participaram da seleção, e 181 foram eliminados (55,5% do total). Com base em um balanço feito pelo supervisor de processos especiais do CIEE/Rio, Luiz Marinho, o maior problema dos universitários é a estruturação da Redação. Segundo ele, observa-se que o candidato possui informação, que é atualizado acerca dos acontecimentos e que tem contato com algum tipo de leitura. Porém, falta o domínio dos recursos essenciais no desenvolvimento de um texto. "O que mais aparece é redação com muita informação, mas que não é trabalhada devidamente. Então, eles dão pinceladas de informação e não conseguem desenvolver o conteúdo. Para quem lê, é difícil ter uma leitura linear, um entendimento do que o universitário quer dizer."

Erros mais comuns são de concordância e ortografia - Para Luiz Marinho, a origem desta deficiência está, sobretudo, no consumo de leitura pela internet. Segundo ele, tal hábito faz com que o estudante assimile este modo de escrita rápido e pouco embasado, e que acabe aplicando a prática às suas produções. "No mundo virtual, as informações que aparecem são curtas, não há um aprofundamento do conteúdo. Este tipo de leitura acaba viciando o jovem para que ele não consiga se desenvolver e elaborar um texto de um modo mais formal, como é exigido no ambiente de trabalho. Percebemos que isso acaba influenciando também a comunicação por e-mail, através do qual ele não consegue se expressar e fazer com que outra pessoa entenda uma solicitação que é feita", diz. Os erros cometidos são os mais variados. Porém, os constatados pelo CIEE/Rio com maior frequência são os de concordância verbal e ortografia, além da dificuldade de desenvolver o tema em um formato mais tradicional e compreensível para o leitor. "É importante saber registrar a ideia e reler a redação pelo menos umas duas vezes para ver se aquilo saiu da forma como planejou", orienta Marinho. Na opinião do superintendente do CIEE/Rio, Paulo Pimenta, esta dificuldade do jovem não é de hoje, mas da falta de incentivo à leitura ao longo dos anos. "O problema destes universitários é a ausência do hábito da leitura que ocorre desde a pré-escola. É preciso que haja uma sequência, não basta que o aluno seja apenas aprovado. É necessária uma verificação mais eficiente se esse aluno realmente aprendeu", fala.

Segundo Pimenta, atualmente do total de estagiários encaminhados pelo CIEE/Rio, 74% conseguem ser efetivado pelas empresas. Porém, a cobrança no mundo corporativo tem crescido. "As empresas estão cada vez mais exigentes. Elas estão dimensionadas a atender um determinado mercado, que cobra mais.

Por isso, o profissional de hoje, precisa ser o profissional do agora e do amanhã", frisa. Mais que encaminhar os estudantes ao meio empresarial, o Centro de Integração também se preocupa em desenvolver aqueles que ainda têm as suas habilidades limitadas, instruindo-os e capacitando-os por meio de cursos e treinamentos. "O foco do CIEE/Rio é não só fazer a inserção do jovem no mercado de estágio, mas também de desenvolvê-lo. Quando não aprovamos alguém em um processo seletivo, percebemos a deficiência e fazemos algo para que esse jovem, quando chamado pela segunda ou terceira vez, não passe pela mesma situação", completa.

* Folha Dirigida* 17 ago. 2010.

Colaboração: Site Stella Bortoni

Gente... que texto maravilhoso para nossa reflexão... nossas formações precisam urgentemente romper a linha das disciplinas e contextualizar de forma transdisciplinar a nossa lingua que percorre tudo o tempo todo. Saber escrever, saber se expressar, saber se fazer entender são processos fundamentais na vida de qualquer um de nós, ainda mais nós EDUCADORES...
O que você achou deste texto... que tal começar sua reflexão por aqui... Passe pelo site da Stella Bortoni, você encontrará muito material para melhorar sua formação e consequentemente sua prática.
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